A solidariedade está mudando a vida de uma família de São Paulo, que se mudou para Franca no final de 2005 e morava em um local insalubre no Jardim Paulista. Os “anjos da guarda” dessa família arranjaram uma casa melhor para eles e pretendem fazer com que os próprios pais possam dar a educação e qualidade de vida adequada para os sete filhos.
A dona de casa Regina Célia Cintra descobriu a família pela sua sogra, que faz parte da comunidade da igreja do bairro. Depois que conheceu a situação deles, não teve mais sossego. “Entrei em depressão ao saber que havia pessoas vivendo daquela forma”. Com o apoio da amiga Maria Helena Souza Silveira, conseguiu uma edícula com três cômodos, com água encanada e luz elétrica, onde a família pudesse morar.
A casa em que Maria Cristina Ganzaroli vivia com o marido e sete filhos tinha apenas um cômodo e alguns móveis. Os filhos dormiam todos juntos e os pais, em um sofá-cama, já quebrado. Não havia água encanada ou energia elétrica. A mãe ia buscar a água do banho dos filhos na casa de uma vizinha e a esquentava numa fogueira improvisada com tijolos. A higiene era feita à luz de de velas, sem nenhuma privacidade.
Não era essa vida que Maria Cristina desejava quando se mudou para Franca. “Eu vim para cá em busca de uma vida melhor para criar meus filhos”. Aqui, se hospedou com a família na casa de uma irmã em outubro do ano passado, mas foram expulsos depois de uma briga. Com o marido, Cícero da Silva, desempregado, a solução foi procurar um albergue. Após ele começar a trabalhar como pedreiro, eles encontraram o “porão” em que se instalaram.
O local foi construído ao lado de um barranco e só possui uma porta e uma janela. As condições sequer permitiam, segundo Regina Célia, o banho diário das crianças. A filha mais velha, Juliana Cristina Ganzaroli, 13, voltou para São Paulo e mora na casa de uma tia. Segundo a mãe, ela não gostou de Franca e não tinha colegas na escola. Já a pequena Andressa Ganzaroli da Silva, de apenas 6 meses, ainda vive com seus outros cinco irmãos, de 10, 9, 7, 4 e 2 anos.
“A nossa preocupação foi com o bem estar das crianças”, disse Maria Helena. Ela e Regina compraram alguns móveis e ganharam outros para acomodar a família na casa, que elas alugaram por R$ 150 mensais. Agora, as crianças dormem em duas camas, em um quarto separado dos pais.
Regina e Maria Helena ficarão responsáveis pelo aluguel, conta de água e energia elétrica e os gastos alcançam R$ 400. Os alimentos são doados por amigos e conhecidos das duas. “Ainda faltam um beliche, uma geladeira, um tanquinho e algumas panelas”, lembra Regina Célia, que não contou para o marido as despesas que acumulou.
As crianças já se acostumaram com a nova casa. “É melhor para brincar e tomar banho”, avalia Fernanda Ganzaroli da Silva, de apenas 10 anos.
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