Esconder foragido da cadeia dentro de seu escritório, fazer conferência entre presos pelo telefone, e dar dicas sobre a movimentação financeira de seus clientes a bandidos supostamente ligados a facções criminosas... Engana-se quem pensa que as atividades ilícitas de Adriana Telini Pedro se resumiam a apenas estes atos. A advogada também é acusada de orientar um marginal a assumir crimes que não cometeu.
A reportagem do Comércio da Franca teve acesso a documentos que indicam a participação da advogada em pelo menos uma ocorrência do gênero. O caso remonta ao assassinato do caminhoneiro Paulo Roberto Vicente, 59, ocorrido no dia 28 de julho de 2005, no interior de um bar na Vila Santa Terezinha. A vítima foi morta por engano.
O alvo seria o comerciante José Ferreira de Almeida, 56, o qual teria se indisposto com traficantes do bairro. O erro de execução custou caro ao criminoso conhecido pelo apelido de “Scop”, o qual havia sido encarregado de cometer o assassinato. Foi expulso da facção e impedido de vender drogas na região do Parque Vicente Leporace.
A advogada Adriana Telini trabalhou na defesa dos suspeitos e, segundo a polícia, tentou dificultar as investigações, supostamente, para aliviar a barra de seus clientes. As suspeitas contra ela se acentuaram no dia 9 de novembro, quando Alessando Aparecido da Silva, 20, o “Costela”, esteve na sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e relatou que havia sido orientado a “abraçar a bronca”, ou seja, se apresentar como o autor do assassinato.
Natural de Morro Agudo, “Costela” disse que estava preso na cadeia de Orlândia, de onde conseguiu fugir no dia 30 de julho (dois dias após o crime). Após conversar por telefone com um amigo de nome “Marcelo”, que estava recolhido na cadeia do Jardim Guanabara, resolveu vir para Franca. Foi quando teria recebido a orientação para assumir o homicídio.
Costela disse aos policiais que as instruções foram passadas pelo amigo e pela “doutora Adriana”. De acordo com seus relatos, a advogada contou a ele como tinha ocorrido o homicídio, dando detalhes de como deveria narrar os fatos aos policiais. “Ela falou que não ia dar em nada porque, depois, era só mostrar que eu estava preso no dia do crime”, disse em seu depoimento.
O rapaz disse, também, que teria sofrido pressões psicológicas para aceitar a proposta. Ele estaria em dívida com criminosos e que, por isso, deveria pagar o débito atuando na linha de frente dos delitos ou assumindo a autoria.
Por meio de escutas telefônicas, os policiais descobriram que o verdadeiro assassino era um adolescente de 16 anos. Ele foi preso no dia 9 de maio no interior de Goiás. Recambiado para Franca, confessou o crime, mas se recusou a comentar detalhes.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.