Apavorados, clientes-vítimas mudam rotina para se esconder


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No início do ano passado, Adriana Telini foi contratada pela dona de casa AISF para cuidar do processo de separação entre ela e o marido, gerente de um curtume em Patrocínio Paulista. A advogada acompanhou de perto todo o desenrolar da história. Um dos acertos combinados foi a divisão de R$ 50 mil obtidos com a venda de uma residência do casal. A partilha do dinheiro foi marcada para o dia 2 de junho em um escritório de contabilidade nas proximidades da prefeitura. A advogada e dois contadores presenciaram o acerto. A mulher ficou com R$ 20 mil, enquanto o ex-marido levou o restante. Caso resolvido, as partes foram cuidar de seus assuntos particulares. Adriana Telini, não. Ela tinha uma missão especial para cumprir: ligou para criminosos e informou que os clientes tinham dinheiro vivo nas mãos. “O cara está indo para Patrocínio em uma Fiorino. Pega ele”, disse várias vezes ao amigo Eurípedes de Moura Júnior, o “Perna”. Por sorte, o gerente mudou o trajeto e escapou do assalto. Uma consulta médica também evitou que a mulher fosse roubada. Mesmo não tendo sido assaltados, os clientes ficaram no prejuízo. Dias após o grampo telefônico ter flagrado o plano da advogada, eles foram informados pela polícia do risco que correram. Assustados, alteraram bruscamente suas rotinas. Quase um ano depois e, já sem o dinheiro, ainda convivem com o medo. AISF deixou a ampla residência em que morava no City Petrópolis e mudou-se para outro bairro distante. Como seu nome voltou a ocupar todos os noticiários, tem evitado qualquer tipo de contato com a imprensa. A reportagem conseguiu falar com seu ex-marido nesta semana. O homem que escapou por pouco do assalto pediu para não fazer nenhum tipo de comentário. “Por favor, me deixa fora. Não quero saber de complicações”.

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