Ficar livre de Adriana Telini não é fácil


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A advogada Adriana Telini Pedro abre a porta de vidro de seu escritório, na Rua Marechal Deodoro: apesar de denúncias, ela continua atendendo os clientes como se nada tivesse acontecido
A advogada Adriana Telini Pedro abre a porta de vidro de seu escritório, na Rua Marechal Deodoro: apesar de denúncias, ela continua atendendo os clientes como se nada tivesse acontecido
O vendedor ambulante João Caliméris Neto mora em Goiânia. Há oito anos, quando ainda morava em Delfinópolis (MG), procurou a advogada Adriana Telini Pedro para processar a Prefeitura de Franca. Seu filho morrera poucos dias antes em um acidente provocado por sujeiras na pista da Rodovia Fábio Talarico e João entendia que a administração, responsável pela conservação da vicinal deveria indenizá-lo por não ter cumprido com o seu dever. Anos depois, contratou a mesma advogada para se defender de uma ação promovida por uma imobiliária de Franca. Em cada uma das ações, pagou R$ 500 pelos serviços profissionais de Adriana Telini. O primeiro processo está no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O outro, segundo o ambulante, foi abandonado pela advogada. No final, João foi obrigado a se acertar com a imobiliária por conta própria porque, àquela altura, já havia perdido a confiança na advogada. “Ele preferiu tratar direto com a imobiliária”, disse Maurício Andrade Peixoto, genro que tem acompanhado os interesses do sogro mais de perto. João Caliméris é um dos clientes que se sentem lesados por Adriana Telini Pedro. Se outros estiverem na mesma situação e quiserem cancelar a procuração assinada em favor da advogada que combinou crimes, via telefone celular, com bandidos presos no presídio do Jardim Guanabara e que escondeu um fugitivo da cadeia dentro de sua casa, terão que enfrentar uma verdadeira maratona burocrática no Poder Judiciário. Pela lei, basta assinar uma procuração em favor do novo advogado que ele já estará autorizado a ir ao Fórum e atuar no processo. Mas não é tão simples assim. Amparado pelo Código de Ética e pelo Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, lei editada há 12 anos, o advogado da causa que for destituído pelo cliente tem o direito de pedir ao juiz que seja ressarcido pelos serviços prestados e não pagos pelo cliente. O magistrado, por sua vez, pode definir um valor como bem entender. Isto é, o cliente pode se preparar para uma dor de cabeça na Justiça. REPRESENTANTES DATIVOS Os casos acima referem-se a clientes que procuram os advogados, diretamente, nos seus respectivos escritórios e combinam o pagamento de honorários advocatícios. Para quem procura advogado na Assistência Judiciária Gratuita da subseção local da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), as dificuldades em se livrar de um mau profissional são ainda maiores. Os clientes que não estiverem satisfeitos com o trabalho do advogado têm que pedir um termo de renúncia. Ou seja, é como ir à jaula negociar com os leões. Atualmente, Adriana Telini Pedro possui 72 processos em andamento nas varas cíveis de Franca e mais dois em grau de recurso em que defende pelo menos uma das partes. Na esfera criminal, não foi possível obter as informações no Fórum “Alberto de Azevedo” porque não há o mesmo controle dos processos cíveis. Mas, em grau de recurso, há 24 processos criminais nos quais Adriana atua. Excetuando as causas da Justiça Federal e do Trabalho, que também não disponibilizam informações processuais por nome de advogado, são no mínimo mais de 100 pessoas que estão nas mãos de Adriana na Justiça.

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