O amigo do microfone


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O dom da oratória é um requisito básico para o sucesso dos políticos. E, com o tempo, um aparelho se tornou peça fundamental para o bom exercício desse dom: o microfone. Na Câmara Municipal de Franca, alguns vereadores adquiriram o hábito de acariciar o companheiro de explanação enquanto falam. Outros, menos carinhosos, têm sido prejudicados pelo acessório imprescindível. O experiente Luiz Carlos Fernandes (PDT) é um dos que têm a mania de “acariciar” o microfone enquanto fala. Quando na tribuna, Fernandes o “ajeita” a todo momento. A fina haste que o sustenta é levada para cima. Em seguida é levada para baixo. Mas o pedetista não tinha, pelo menos até ser questionado, nem mesmo consciência de que age assim. “Eu faço isso? Rapaz, acho que eu faço mesmo. Acho que é uma espécie de tique nervoso, força do hábito”, disse, entre risos. Outro que mostra todo o seu carinho é Valter Gomes (PSB). De início, Valter tentou negar o hábito. “Não faço isso não. Se eu faço é inconscientemente”. Sempre sorrindo, ainda tentou desviar o foco e, pior, acusou o colega. “Eu já reparei o Luiz Carlos fazendo e não percebi que eu mesmo fazia, mas foi bom você me falar, que vou evitar mexer tanto no microfone. Deve ser esquisito”, disse. E, cá entre nós, desculpe, Valter... É sim. Mas, noutras vezes, a cena roubada pelo aparelho inventado pelo alemão Emile Berliner, em 4 de março de 1877, não é culpa dos vereadores. As chamadas “falhas técnicas” - não se sabe se provocadas por falta de afeto ou não - por vezes impedem que a voz dos parlamentares ganhe o plenário. Nesse caso, a despeito de imprevistos sofridos aleatoriamente com os aparelhos de Jepy Pereira (PSDB), Maurício Chinaglia (PSB) e Silas Cuba (PT), um microfone em especial parece ter “ciúme” do usado pelos vereadores na tribuna: o de Marcelo Caleiro (PMDB). O microfone da mesa do vereador costuma deixá-lo na mão freqüentemente. “Na maioria das vezes, se não era problema no aparelho, era o mau contato da ligação que fica embaixo da mesa”, explica ele. Na falta da ressonância, Caleiro se socorria dos microfones dos colegas mais próximos, principalmente do de Jepy. De acordo com o peemedebista, os problemas técnicos são coisas do passado. “Trocaram o meu microfone”, disse. Somente as próximas sessões da Casa poderão confirmar. Por enquanto, Jepy Pereira agradece.

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