Para Adriana, foi só “um deslize”


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A advogada Adriana Telini Pedro zombou da Justiça, do Ministério Público, do Estado de Direito, da Polícia e de toda a sociedade em entrevista veiculada pela Rádio Franca do Imperador AM, ontem pela manhã. Confessou ter orquestrado roubos com bandidos presos dentro da Cadeia do Jardim Guanabara e admitiu ter escondido um foragido da Polícia dentro da sua casa. Para justificar seu comportamento, falou em “retaliação da Polícia”, ingenuidade e até que “agiu sem pensar”. “Posso dizer que fui ingênua. Agi com a emoção e não com a razão”, disse Adriana, que tem 35 anos de idade e há seis trabalha no escritório de advocacia montado pelo pai. “O que ocorreu comigo foi uma retaliação da Polícia, já que um delegado de Franca está sendo processado por um crime de tortura juntamente com quatro investigadores”. O inquérito policial aberto contra a advogada no caso em que ela esconde um bandido em sua casa foi aberto no dia 14 de setembro de 2005. A representação de Adriana contra o delegado Pedro Luís Dall’áqua e os investigadores Mauro, Paulo Ambrósio, Marcos Reginaldo e Reinaldo Guimarães foi feita ao Ministério Público 50 dias depois, no dia 4 de novembro. No documento, a advogada acusa os policiais de terem torturado um cliente seu para que ele confessasse um assassinato, no ano passado. Se houve retaliação, o agente foi a própria advogada que armou uma história só depois de ter sido flagranda escondendou um fugitivo da cadeia. Flagrada na escuta telefônica tramando o assalto a seus próprios clientes, Adriana Telini Pedro disse ter fingido as conversas. No dia 2 de junho ela disparou oito ligações para combinar o roubo. Nas conversas ela dá dicas a bandidos, via telefone celular, sobre como encontrar seus clientes que haviam acabado de acertar uma partilha de separação judicial e que estavam com R$ 50 mil em mãos: “... mas sabia que alguém estava escutando minha conversa e tentei ‘forjar’ algo”, disse, sem explicar por qual razão teria feito isso. A nova tese da advogada contrasta com a do advogado que a representa, Rui Engrácia Garcia. Há apenas três dias, ele disse que Adriana não reconhecia as gravações e nem apresentou qualquer versão uma suposta encenação de sua cliente. O comportamento de Adriana foi comparado ao de um marginal pelo presidente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato. Para ela foi apenas um “deslize”. “Ao falar no telefone sobre o dinheiro que o marido dela tinha em seu poder foi um deslize que eu pratiquei...”, disse. E insistiu em dizer que não cometeu delito. “Não houve crime. A minha cliente foi para casa com segurança”, disse Adriana. O roubo não foi concretizado. Nenhum dos dois clientes foi efetivamente assaltado pelo bando, mas o delegado Wanir José da Silveira Júnior disse que tem indícios suficientes para indiciá-la por formação de quadrilha (leia mais ao lado).

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