Advogada fez teleconferência com presos


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“Sabia que alguém estava escutando minha conversa e tentei ‘forjar’ algo”
“Sabia que alguém estava escutando minha conversa e tentei ‘forjar’ algo”
Trechos inéditos das escutas gravadas pela Polícia Civil de Franca com autorização judicial comprovam que Adriana Telini Pedro fazia conferência por telefone com presos recolhidos na cadeia do Jardim Guanabara e criminosos soltos nas ruas. A prática foi usada para combinar o assalto a dois clientes da própria advogada que haviam acabado de, em partilha, vender uma casa de R$ 50 mil e dividir o dinheiro. Com base nessas descobertas, os policiais decidiram indiciá-la pelo crime de formação de quadrilha (leia mais no texto abaixo). Ligações interceptadas no dia 2 de junho de 2005 mostram Adriana conversando oito vezes em um curto espaço de tempo com criminosos diferentes na tentativa de orquestrar o roubo. Sem contar a ligação que ela faz à cliente para descobrir onde encontrá-la o mais rápido possível e assaltá-la. A advogada acompanhou os clientes na venda da casa realizada em uma imobiliária próxima ao prédio da prefeitura. Assim que o negócio é concretizado, Adriana dispara a primeira ligação. Apressada, ainda na porta da imobiliária, ela liga para “Perna”, criminoso que ainda estava preso no Guanabara e ficaria encarregado de combinar a estratégia com os demais integrantes do bando. “Deixa eu te falar com urgência: vai para a estrada de Patrocínio. Tem uma Fiorino, tá só com dois caras. O cara saiu com R$ 30 mil no bolso (...) A mulher saiu da porta da imobiliária com o comprador e foi pro Centro com R$ 20 mil”. Os bandidos não conseguem encontrar as vítimas. O homem chega a Patrocínio antes de ser abordado. Com uma consulta marcada no ginecologista, a mulher também escapa da emboscada. O insucesso inicial não muda o objetivo da quadrilha. Depois de não conseguir encontrar as vítimas em trânsito, Adriana organiza uma teleconferência para traçar novos planos. Da ligação, participam dois bandidos. “Perna” e outro chamado “João”. Uma outra mulher, identificada como Lívia também participa rapidamente da conversa. A advogada passa o endereço completo de seus clientes para que os comparsas possam fazer campana na porta da casa e do trabalho das vítimas. “Ela mora aqui na Avenida Coelho Neto” (confira os diálogos no quadro ao lado). Diversas vezes Adriana ainda mostra irritação com a cliente que ainda não havia pago o serviço prestado pela advogada. “Ah ninguém merece. Receber mesmo que é bom, não vou receber tão cedo”, reclama enquanto maquina o assalto com um criminoso. Acompanhada de duas pessoas, uma mulher identificada por Lívia e um homem, “Jeromim”, Adriana ainda vai até o bairro em que a cliente mora. “Eu quero dá uma surra nela. Eu, a Lívia e o Jeromim. Pérai. A Lívia falô se ela for presa, se eu mando cigarro pra ela...”. QUADRILHA Para a polícia, Adriana Telini, “Perna”, “João”, e outras duas pessoas formariam uma quadrilha. O inquérito policial que apura o caso será finalizado na próxima semana. “Temos provas suficientes para indiciá-la por formação de quadrilha”, disse o delegado Wanir José da Silveira Júnior. Apesar de revelarem todas as estratégias do bando e a frieza com que os os crimes eram planejados, as interceptações telefônicas não são suficientes para mandar Adriana para a cadeia por tentativa de roubo. Por isso, a preocupação dos delegados em configurar também a formação de quadrilha (leia abaixo).

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