A escrevente Selma Gomes Henso, 41, e o funileiro Amarildo Lourenço, 39, estão casados há quatro anos. O casal não conseguiu ter filhos e resolveu adotar uma criança. André Luís chegou ao novo lar com 2 anos e meio, em setembro de 2005. Para os pais, sua presença renovou a casa. “Nós o recebemos de coração e sua chegada nos deixou mais felizes, de alma nova”, disse a mãe (leia mais ao lado). Esse é um dos 32 casos de adoção efetivados em Franca nos últimos quinze meses. Em fevereiro de 2005, a lista no Fórum “Alberto de Azevedo” estava com 78 adotantes na fila e atualmente, tem 46.
Do começo do ano passado até maio de 2006, pelo menos duas crianças ganharam uma nova família em cada mês. A média de encaminhamentos, por si só, surpreendeu o setor de serviço social e psicologia do fórum e ainda traz outro ponto positivo: aumentaram as adoções de crianças mais velhas (acima de 3 anos) e negras. A psicóloga Maria Aparecida David não possui estatísticas dessas adoções, mas percebeu o crescimento desses casos. “Os adotantes estão mais conscientes e abertos”, disse.
Maria Aparecida ressaltou a importância de quebrar mitos acerca da adoção tardia. “Muitas pessoas acham que os meninos mais velhos levam tudo o que aprenderam para a nova casa e não se integrarão à nova família. Lógico que há o período de adaptação, mas se a criança se sentir acolhida e for tratada com carinho e atenção, ela aceitará os pais adotivos e a relação tenderá a ser bem-sucedida”, disse a psicóloga. “Não interferimos na escolha do casal, mas sensibilizá-los a aceitar uma criança mais velha é um trabalho constante”, complementou.
PREFERÊNCIAS
Apesar da boa notícia de crescimento no número de adoções tardias e de crianças negras, ele ainda não é suficiente. Muitos candidatos à adoção ainda resistem às crianças mais velhas ou negras. É o caso, por exemplo, dos 46 que continuam cadastrados na Comarca de Franca. Desse grupo, somente dois aceitam crianças entre 2 e 3 anos e apenas um até 5 anos. A escolha da cor da pele também precisa vencer preconceitos: do total, 42 pedem um filho branco e apenas um aceita que seja negro. “Com as exigências, a espera pode ser longa. Temos casais à espera de um bebê branco desde 1997. Se aceitassem uma criança de 3 ou 4 anos, poderiam tê-la em casa em cinco meses mais ou menos”, disse a psicóloga Maria Aparecida.
Resta aos meninos e meninas mais velhos (especialmente acima de 5 anos) e adolescentes, que não conseguem encontrar nova família, ficarem na Casa do Aconchego, viver com famílias de apoio (famílias provisórias que ficam com essas crianças até que sejam adotadas) ou serem adotadas por famílias estrangeiras. Se as comarcas não encontram adotantes na região nem no Estado ou no País, encaminham as crianças e jovens para pais estrangeiros dispostos a assumi-los. Em um dos encaminhamentos feitos em 2006 pelo Fórum de Franca, duas irmãs negras, de 5 e 6 anos, foram adotadas por um casal da Itália.
Hoje é comemorado o Dia Nacional da Adoção. Em Franca, a festa acontecerá sábado, na Praça Nossa Senhora da Conceição, das 9 às 15 horas. São esperadas 200 pessoas para obter informações sobre o assunto e também prestigiar o encontro, com o tema Adoção, Adote Essa Idéia, que contará com shows musicais, apresentações de dança e balé.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.