Golpista simula seu próprio seqüestro para sanar dívidas


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O comerciante J.C.S., 40, procurou a polícia no dia 21 de março deste ano e denunciou uma ocorrência assustadora e curiosa. Tremendo e visivelmente nervoso, disse que havia sido vítima de um seqüestro-relâmpago e passado nove horas amarrado. Também teria sofrido torturas psicológicas e ficado sem sua caminhonete importada. Era tudo mentira. O homem inventou a história apenas para se livrar de dívidas aplicando o chamado “golpe do seguro”. O caso foi esclarecido ontem e o comerciante acabou indiciado por estelionato. Na época do suposto seqüestro, a “vítima” disse que estava com sua Mitsubishi L200 diante de um posto de combustíveis, na saída de Franca para Cristais Paulista, quando foi rendido por três homens armados. “Fui amarrado pelas mãos e pés e jogado de bruços no banco traseiro. Pediram para eu não me mexer, caso contrário, me matariam”. Após rendê-lo, os marginais teriam seguido para um cafezal perto de Itirapuã, onde o amarraram. “Eles perguntavam: será que ele sabe nadar? Pensei que fossem me jogar no rio. Estava amarrado e morreria. Cheguei a fazer xixi na calça de medo”, disse à epoca. A versão da suposta vítima não convenceu. Antes do “roubo”, os agentes da DIG haviam recebido uma denúncia informando que uma pessoa tentava aplicar o golpe do seguro em Franca. Ontem, os investigadores Lucas e Marcos Euclides esclareceram o caso ao encontrar um representante comercial que havia sido contratado pelo comerciante para levar sua caminhonete a Brasília (DF). Levado novamente à DIG, o comerciante confessou o crime. “Ele disse que vivia uma crise financeira e resolveu praticar a fraude. A caminhonete foi vendida em Brasília por R$ 2 mil. Ele chegou a receber o seguro, mas disse não se lembrar do valor. Anteriormente, ele criticou o trabalho da polícia, dizendo que não teria recebido o apoio necessário”, disse o investigador Wellington Amato. Apesar de indiciado, ele responderá em liberdade. A seguradora será informada da fraude.

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