O projeto que prevê a criação de 15 novas vagas em diversas funções, para o quadro de servidores da Câmara Municipal, emperrou na sessão de ontem e ficou, por ora, sem definição. A questão que mais levantou divergências foi a da escolaridade. Os vereadores da oposição querem que alguns postos a serem criados na área administrativa sejam abertos a pessoas com segundo grau completo. O bloco governista acha viável contratar funcionários com ensino superior. Por essa razão, o projeto, que já sofreu uma mudança importante, acabou não sendo votado. O texto original previa a criação de 13 cargos. Na sessão de ontem ficou decidida a criação de mais dois: um para secretária e um para advogado. Desta forma, se aprovado o projeto, as vagas criadas serão assim distribuídas: cinco para escriturários; duas para advogado e uma para contador, administrador, analista de sistemas, recepcionista, motorista, zelador, telefonista e encarregado de manutenção.
O petista Silas Cuba foi ao plenário e avaliou como restritiva à maioria das pessoas a exigência do terceiro grau. Segundo o vereador, a parcela privilegiada seria de 10% da população francana. “É só analisar os serviços que a área administrativa oferece. Uma pessoa recém-saída do colegial os faz tranqüilamente”, disse. Contenção nos gastos seria outra justificativa apontada por Cuba para a mudança nas regras do concurso. “Um servidor com nível universitário custa muito mais do que outro que tem o segundo grau. E na prática, ambos fazem a mesma coisa”, disse.
Já o líder do governo na Câmara, Jeppy Pereira, disse que tem de ser levada em conta, mais que os fatores apontados por Cuba, a qualidade do serviço que uma pessoa com escolaridade maior poderia prestar. “Não há dúvidas de que um sujeito que tenha feito faculdade está melhor preparado para lidar com questões técnicas, que são da mais alta importância e responsabilidade”, disse.
Para resolver a questão, os vereadores pararam a sessão, às 22h15, e se reuniram a portas fechadas. Quase uma hora depois, às 23h05, voltaram ao Plenário e anunciaram que os vereadores Joaquim Pereira Ribeiro e Silas Cuba vão a São Paulo, amanhã, para consultar uma empresa especializada na realização de concursos públicos e esclarecer todas as dúvidas sobre a escolaridade exigida para cada um dos cargos a serem preenchidos.
Como o prazo final para a homologação do concurso é 30 de junho, o presidente da Casa, Marcelo Mambrini (PMN), anunciou uma sessão extraordinária para o próximo domingo, às 9 horas, para que todas as pendências sejam resolvidas e a criação das vagas possa ser oficializada já na sessão da próxima semana.
URGÊNCIAS
Uma grande parte da sessão de ontem da Câmara Municipal de Franca foi gasta com discussões das bases governista e oposicionista sobre o excesso de projetos em regime de urgência enviados pelo prefeito Sidnei Rocha. Logo após a aprovação do primeiro texto, que autorizou o repasse de R$ 100 mil ao Hospital Allan Kardec, o petista Gilson Pelizaro criticou duramente o Executivo, a quem acusou de privar os vereadores de uma análise mais profunda sobre os artigos. “Não admito isso. Não sou de votar sem saber em que estou votando”.
Na seqüência, uma cena patética: Pelizaro perguntou aos também vereadores Maurício Chinaglia (PTB) e Donizete Mercúrio (PMN) se eles saberiam detalhar o projeto apreciado anteriormente. Ambos assumiram que não. Diante do inevitável constrangimento, o líder do prefeito na Câmara, Jeppy Pereira, prometeu entregar, a partir da próxima semana, a pauta com as votações em regime de urgência na véspera da sessão.
Entre os demais projetos, o que mais gerou debates foi a autorização para a prefeitura alienar o terreno onde será construído o CDP (Centro de Detenção Provisória) ao Estado, mas, no final, por 13 votos a zero (Silas Cuba não votou), o texto foi aprovado. Havia ficado pendente, desde a última votação, um acerto na nomenclatura da área. No projeto original constava “Fazenda São Paulo” e o exigido pelo Estado seria “Fazenda Estado de São Paulo”.
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