“Comportamento absolutamente marginal”. Assim o presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, classificou os procedimentos da advogada Adriana Telini. O jurista, representante da maior e mais importante instituição da classe no País, afirmou que o registro da advogada na Ordem deve ser imediatamente cassado se ficar comprovada sua participação nos supostos crimes. Mas, mesmo com o discurso grave de Busato, a definição da suspensão de Adriana ainda deve demorar 20 dias para ocorrer.
“Trata-se de um comportamento lamentável e o caso deve ser prontamente extirpado dos quadros da OAB”, disse o presidente da Ordem. As declarações de Busato foram feitas com base nas informações divulgadas com exclusividade pelo Comércio em sua edição de domingo e reproduzidas por inúmeros meios de comunicação de alcance nacional. Para ele, a conduta da advogada “não é o comportamento de quem está representando alguém, mas de uma pessoa que está espoliando alguém, que está agindo como marginal e, portanto, não merece nem mesmo ser tratado como uma falha no exercício profissional”.
MARCHA LENTA
A punição rigorosa defendida veementemente por Busato contrasta com a morosidade das providências tomadas pela OAB, principalmente da subseção de Franca. O presidente do Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da Ordem no Estado de São Paulo, Braz Martins Neto, informou, ontem, que cerca de 20 dias ainda serão necessários para uma decisão de suspensão da carteira de advogada de Adriana. “A menos que seja em caso de flagrante delito, há a necessidade de se ouvir a acusada. Regimentalmente, a defesa tem o prazo de 15 dias para ser preparada. Em no máximo 20 dias, sairá a decisão sobre a suspensão preventiva”, disse.
Nem mesmo a voz da advogada gravada combinando assaltos com criminosos é suficiente para agilizar o processo. A subseção da cidade investigou os atos de Adriana por sete meses sem tomar nenhuma medida efetiva para impedir que ela continuasse exercendo a profissão. Somente na segunda-feira, quando o caso foi publicado pelo Comércio da Franca, a Comissão de Franca repassou o processo para o Tribunal de Ética de Ribeirão Preto e pediu a suspensão provisória da licença para advogar de Adriana. Segundo membros da comissão, uma definição do tribunal demoraria no máximo três dias. Prazo desmentido, ontem, por Braz Martins Neto.
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