O mecanógrafo e artista plástico Carlos Gomes Macedo Júnior, 56, trabalha desde 1976 na área de manutenção de máquinas de escrever, ofício aprendido com o pai. “Ele foi pioneiro no ramo em Franca e se aposentou fazendo isso”. Após 30 anos dedicando-se somente às máquinas, Macedo agora pensa em se aposentar. O motivo não é a extinção da profissão, mas o amor pelas artes plásticas.
Trabalho na oficina mecanógrafa ainda existe e não é pouco.
Macedo calcula que pelo menos uma máquina por dia dá entrada para manutenção, mas acredita que o número seria maior caso trabalhasse em período integral. À tarde, a oficina fica fechada e ele cuida de seu ateliê de pintura, que já considera sua profissão principal.
A mudança de área de atuação começou há três anos e é definitiva. “Já estou me aposentando como mecanógrafo e fecharei as portas definitivamente”, admite. Muitos amigos dele também mudaram de atividade profissional em razão da dificuldade do trabalho. “Às vezes, faço o conserto, reviso a máquina e, quando o cliente chega em casa, já liga reclamando de algum problema. Isso é normal acontecer nesse ramo”, afirma o mecanógrafo.
Ao contrário do pai, Macedo não deixará “herdeiros” da atividade. Ele tem um filho médico e uma arquiteta. “Não queria isso para eles”, afirma. Ele explica que também não conseguiu ensinar para outras pessoas, porque o ofício, segundo ele, é muito cansativo e minucioso. “A precisão da manutenção deve ser milimétrica”.
Ele não acredita, entretanto, que a profissão vá acabar, porque as máquinas de escrever também não caíram em desuso. “Há lugares em que você vê um computador e uma máquina de escrever ao lado, porque há impressos com que o computador não trabalha”, explica. Além disso, o valor relativamente alto do computador impede uma popularização maior do equipamento, tornando a máquina de escrever uma alternativa viável para quem não precisa de todas as funcionalidades do mundo digital.
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