Máquinas eternas


| Tempo de leitura: 3 min
Sônia Elizabete abraça a máquina de escrever que supre as suas necessidades: só pretende comprar um computador por causa do filho de 7 anos
Sônia Elizabete abraça a máquina de escrever que supre as suas necessidades: só pretende comprar um computador por causa do filho de 7 anos
As máquinas de escrever já não carregam o glamour de outrora, mas ainda têm adeptos em muitos lugares. Prova disso é a manutenção do Dia do Datilógrafo, comemorado hoje, bem como a existência de empresas especializadas em vendas e consertos das máquinas datilográficas. Para muitos, a máquina de escrever é insubstituível e há usuários que não vêem a necessidade de migrar para editores eletrônicos. A fiscal da previdência aposentada, Sônia Elizabete Degrande, é uma das pessoas para quem a máquina de escrever supre todas as necessidades. Ela tem uma máquina eletrônica com um visor que registra a frase que está escrevendo antes de pô-la no papel, permitindo eventuais correções. “Quando estou datilografando uma linha, a máquina escreve a anterior”, explica. O equipamento oferece, também, a opção de utilizar uma fita de correção para eventuais erros de datilografia, mas a ex-fiscal não a utiliza por causa da facilidade de corrigir os textos ainda no visor. A máquina foi comprada há 13 anos e, até hoje, não precisou passar por manutenção. “O único gasto que tenho é de substituição da fita, que custa R$ 17,50”. Para Sônia Elizabete, o preço é alto porque uma fita permite escrever cerca de 15 folhas de sulfite. A fiscal aposentada já trabalhou com computadores e acredita que eles podem atrasar serviços simples. Ela se recorda de quando tinha que fechar algum documento no computador com urgência e o sistema pifava. “Se eu estivesse com a minha máquina lá, os documentos ficariam prontos numa rapidez muito maior”. Mesmo sem motivos para migrar para editores de texto, Elizabete está orçando um computador para seu filho, de 7 anos. “Mas não estou muito interessada em comprá-lo”, admite com medo de que o filho se prenda demais ao novo equipamento. “Eu quero que ele brinque mais e não fique vidrado em jogos de videogame”. TEMPO DE MUDANÇA Enquanto Sônia Elizabete insiste em manter a máquina, há casos em que o computador rouba a cena aos poucos. O despachante Nivaldo de Oliveira mantém, em seu estabelecimento, dois computadores e duas máquinas de escrever. “Mas elas são pouco usadas”, revela. Ele mesmo tem curso de datilografia há mais de 40 anos, mas começou a deixar a máquina de lado em 1996, quando iniciou o processo de informatização do estabelecimento. Oliveira disse que as máquinas de escrever não podem ser substituídas por conta de alguns impressos que são difíceis de preencher em computadores. “Há vários documentos públicos que não estão disponíveis no ambiente virtual”, explica. A facilidade de preenchimento de alguns documentos em máquinas de escrever é reconhecida também por Aldo Braga, proprietário de um estabelecimento de venda e manutenção deste tipo de equipamento em funcionamento há 22 anos. Em seu próprio escritório, computador e máquina de escrever convivem lado a lado. “Preenchimento de duplicatas e orçamentos pequenos, por exemplo, faço na máquina, mesmo, porque chega a ser mais rápido que no computador”. A facilidade e a necessidade oferecidas pelas datilográficas se refletem na procura pelos equipamentos na sua empresa. Aldo conta que a venda é quase diária. “Todo dia vendemos máquinas. O computador atrapalhou um pouco, mas a procura ainda existe e é constante, embora não na mesma escala que no passado”. Atualmente, o preço motiva a procura por máquinas usadas e não automáticas. “Enquanto uma manual custa entre R$ 250 e R$ 300, o preço da automática vai de R$ 800 até R$ 1,2 mil”, compara. Os principais clientes de Braga são estabelecimentos comerciais e industriais. Segundo ele, sua empresa tem cadastrados mais de 2 mil clientes. “Damos assistência por toda a região e, em cidades pequenas, as máquinas são muito usadas”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários