`Supernanny`, a babá dos sonhos


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Uma receita capaz de colocar na linha os pestinhas mais endiabrados do planeta. Esse é o sonho de qualquer família que precisa lidar no dia-a-dia com crianças que pulam no sofá, sobem na mesa, comem no chão, batem nos pais e nos irmãos ou quebram os objetos da casa. Se é possível conseguir tal fórmula, é difícil saber. Mas que a TV aberta tem dado uma certa esperança para essas famílias, isso tem. Desde abril, o SBT exibe aos fins de semana o programa Supernanny. Uma espécie de reality show no qual uma babá (interpretada pela pedagoga Cris Poli, nascida e formada na Argentina, mas vive no Brasil há 30 anos e dedica-se à Educação Infantil há 40), passa algumas semanas observando o dia-a-dia de famílias com problemas como os descritos acima (as famílias se inscrevem para participar da atração pelo site do SBT). Depois, ela elabora novas regras que devem ser aplicadas na casa. Então, os pais precisam seguir essas regras para que a rotina da casa mude e as crianças em questão também. O sucesso do programa está justamente nesse novo código de conduta. Mães, babás e psicólogos encontraram na atração uma fonte de ajuda para a resolução dos problemas de crianças rebeldes. Com um caderninho na mão, muitas pessoas anotam as dicas e colocam-nas em prática com “suas crianças”. É o caso da babá Sílvia Gomes de Oliveira, 24. Ela cuida de uma criança de 2 anos, Maria Luiza, e diz tirar dicas importantes do programa. “Acho interessante porque aprendemos a lidar com as crianças de uma outra maneira”, conta. Além de usar no seu próprio trabalho, ela também dissemina o programa entre os conhecidos. Até a mãe da pequena Maria Luiza começou a gostar das dicas da superbabá. “Eu acabei falando para ela desse programa. Agora, sempre que pode, ela assiste e a gente até troca idéias”. Uma das dicas que Sílvia adotou de imediato, e adorou o efeito, foi o famoso “cantinho da disciplina”. Essa novidade a supernanny aplica em todas as casas nas quais tenta estabelecer uma certa ordem. É escolhido um local da casa para que a criança fique lá pensando no que fez de errado. O tempo do castigo é um minuto para cada ano de vida. Depois, o pai precisa questioná-la sobre o que pensou naquele período. Para a psicóloga Tatiana Carmo, as dicas da supernanny são interessantes e úteis, mas sempre deve ser levada em conta a realidade de cada família. “Lá, eles apresentam crianças extremamente problemáticas, que dominam a casa”. Para ela, a atração mostra a importância da autoridade dos pais. “Vivemos uma época de supressão da autoridade familiar. E as crianças precisam de limites. Mas esses limites só são conquistados com a autoridade bem exer-cida dos pais”, diz. Questionada se um trabalho como o da supernanny funcionaria, ela diz que não conhece experiências do gênero. Mas garante ser cada vez mais comum famílias inteiras irem para dentro do consultório de um psicólogo. “Muitas vezes recomendo que assistam ao programa”, diz.

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