A presença do grupo de 300 sem-terra acampados na Fazenda Jandira, em Cristais Paulista, trouxe uma preocupação a mais para o prefeito daquela cidade. Hélio Kondo (PMDB) receia que os invasores possam começar a usar indiscriminadamente a água da lagoa existente na fazenda, a qual é responsável pelo abastecimento da cidade. A preocupação poderia parecer exagerada, mas se levado em conta que os 300 sem-terra equivalem a quase 10% da população de Cristais (pouco mais de três mil habitantes), o receio passa fazer sentido. A sede da fazenda do Grupo Samello, onde o grupo estava anteriormente, sofreu com a falta d’água em razão do aumento no uso.
Procurados pelo prefeito, os coordenadores do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) se comprometeram a não usar a água da lagoa. “Eles estão usando a água da própria fazenda, que é tratada pela prefeitura”, disse o prefeito. O que tranqüiliza o prefeito pode trazer dores de cabeça ao proprietário da fazenda futuramente. “Temos uma concessão com os proprietários, já que tanto a represa como os tubos de captação ficam na propriedade e por conta disso eles têm direito a usar 50 metros cúbicos de água gratuitamente por mês. Até então não tivemos problemas, mas, agora, se passar disso, vamos cobrar”, disse Kondo.
Jean Gomes, da coordenação, disse que orientou os acampados a não desperdiçar água. “Colocamos um tanque no acampamento, inclusive com bóia, para evitar desperdício. Também pedimos ao pessoal que coloque torneiras nas mangueiras para reduzir o consumo”, disse.
Mesmo com o compromisso do MLST, o prefeito está receoso de que falte água no município, principalmente porque o número de sem-terra no acampamento aumenta a cada dia. Somente no sábado, 20, instalaram-se no local 20 famílias de Jeriquara e Rifaina. A coordenação espera montar um acampamento com cerca de mil pessoas dentro de 90 dias quando termina o prazo dado pelo proprietário da fazenda para que os sem-terra deixem o local.
O prefeito também ficou preocupado com a construção de fossas no terreno; uma delas nas proximidades da lagoa, que foi retirada pelo próprio movimento. Outras cinco foram instaladas às margens da Rodovia Cândido Portinari, onde foram erguidas muitas barracas.
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