Por trás de uma mulher meiga e amável — segundo familiares, amigos, clientes, ex-colegas de faculdade e estagiários de seu escritório — aparece uma advogada capaz de se aliar ao mundo do crime e manter com um bandido uma relação que, segundo gravações, parece estar muito além da existente entre um cliente e um advogado. São as duas facetas de Adriana Telini Pedro, 35 anos.
Sua origem social se assemelha mais à de Suzane von Richtofen, presa por participar da morte dos pais em São Paulo, do que à da maioria dos criminosos que mantém como clientes de seu luxuoso escritório, na Rua Marechal Deodoro. De família rica, Adriana nasceu no dia 19 de fevereiro de 1971, em Franca. O pai é advogado há mais de 40 anos, dono de uma curtidora de couro e proprietário de terrenos. A mãe, pertence a uma das famílias mais ricas da cidade.
Ainda criança, Adriana teve que superar um defeito físico de nascença (não tem a mão direita), que não a impediu de freqüentar a escola e manter uma vida normal num padrão bem acima das crianças de sua idade. Segundo depoimentos de amigos da família, nunca lhe faltou nada. “Os pais faziam de tudo para ela”, declarou uma amiga da mãe dela, que preferiu não se identificar.
Com o pai advogado, não foi difícil optar por cursar a FDF (Faculdade de Direito de Franca), onde se formou em dezembro de 96. Nos dois primeiros anos, se destacou em Direito Constitucional, com média 9, sendo aprovada sem necessidade de realizar o exame final. A opção em atuar na área criminal deve ter aflorado no terceiro ano, quando obteve nota 9 em Direito Penal.
Se Adriana Telini Pedro se destacou nesta matéria, a advogada custou a atingir a nota mínima, 7, em Direito Civil e Direito Processual Civil. Em ambas as disciplinas, foi reprovada no quarto ano e obrigada a cursar dependência no último ano.
Mesmo com desempenho satisfatório na FDF, Adriana obteve o registro na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) somente em agosto de 2000, sob o número 178.670. Ela começou a advogar com o escritório montado pelo pai, que também transferiu-lhe boa parte de sua atual clientela.
Desde então, coleciona admiradores com a mesma intensidade que desafetos e, principalmente, processos na Justiça e no Conselho de Ética da OAB. Descrita por clientes e colegas de profissão como uma pessoa simpática, afável e até altruísta, não foi difícil angariar mais clientes, atuando preferencialmente nas áreas criminal, trabalhista e previdenciária.
Ao mesmo tempo, a advogada é alvo de ações judiciais. Atualmente, tramitam contra Adriana Telini Pedro 14 ações nas varas cíveis e no anexo fiscal do Fórum “Alberto de Azevedo”. Dez são de execução fiscal promovidas pela Prefeitura de Franca.
Outras duas execuções são promovidas por particulares, um deles seu cliente, que também pede na Justiça uma indenização de R$ 35 mil por danos morais. Ele teria contratado os serviços de Adriana por R$ 450 há exatamente quatro anos, conforme consta nos autos do Processo número 3.324/05, da 5ª Vara Cível. No entanto, o serviço nunca teria sido feito. Segundo o processo, a advogada ainda não respondeu as acusações.
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