Advogada combinava roubos com o PCC


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Escutas telefônicas gravadas pela Polícia Civil com autorização judicial comprovam o envolvimento de uma advogada de Franca com criminosos. Realizado no ano passado, o grampo flagrou a advogada Adriana Telini Pedro instruindo bandidos supostamente ligados ao PCC a roubarem seus próprios clientes que estariam com dinheiro vivo. Ela também foi surpreendida escondendo em sua casa um foragido da cadeia do Jardim Guanabara em junho de 2005. O Ministério Público, a Justiça e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) já foram informados do caso. Até agora, as instituições não se pronunciaram oficialmente. As escutas provam a ligação de advogados com o crime organizado que vem à tona após a onda de ataques promovidos pela facção criminosa em todo o Estado. As desconfianças dos policiais sobre Adriana Telini não são novas e há tempos ela vem sendo rastreada. Após levantar indícios de seu envolvimento com o crime, a polícia conseguiu uma autorização da Justiça para gravar seus telefonemas. As suspeitas ganharam forças no dia 2 de junho de 2005, quando ela foi flagrada dando dicas para um assalto a Eurípedes Moura Júnior, 26, o “Perna”, que estava preso na cadeia do Jardim Guanabara. Ele havia sido detido em março justamente por assalto. Segundo a polícia, “Perna” ou Juninho, como é conhecido, seria um dos líderes do PCC no complexo do Jardim Aeroporto, zona sul da cidade. Após receber orientações da advogada, ele as repassaria para que “soldados” da facção cometessem o roubo. No dia dos fatos, Adriana Telini acompanhou partilha de R$ 50 mil, referentes à venda de uma residência, de um casal que estava se separando. “Ela era advogada da mulher e ficou sabendo que a mesma havia recebido R$ 20 mil e que o marido ficou com R$ 30 mil. Na posse das informações, ligou para o “Perna” na cadeia e informou que os dois estavam com muito dinheiro”, disse um policial que pediu para não ter o nome divulgado. A revelação foi feita sexta-feira, às 19 horas, no interior de uma delegacia. As interceptações telefônicas obtidas com exclusividade pelo Comércio da Franca comprovam os relatos do policial. Ao receber uma ligação de “Perna”, que se identifica como “Maria”, a advogada fala sobre o dinheiro e onde os criminosos poderiam encontrar seu cliente. “Oi Maria, só um minutinho...Maria, deixa eu te falar com urgência: vai para a estrada de Patrocínio. Tem uma Fiorino, tá só com dois caras. O cara saiu com R$ 30 mil na bolsa”. Por sorte, a vítima alterou seu trajeto e escapou do assalto. Como não encontrou o primeiro alvo, um integrante da quadrilha ainda não identificado pela polícia liga para a advogada. Visivelmente irritado, ele pergunta onde estava a mulher que recebeu os R$ 20 mil. Adriana Telini responde que ela foi para o Centro da cidade. Após levar uma bronca do criminoso por não passar a localização exata, a advogada chegou a ligar para a cliente e futura vítima. “Alô. Cidinha? onde você está?”. Repetiu a pergunta várias vezes. Uma consulta ao médico ginecologista livrou a mulher do roubo. ESCRITÓRIO VIROU ESCONDERIJO As revelações já seriam suficientes para incriminar a advogada, mas não são as únicas. Ela foi flagrada pelas interceptações dando cobertura a bandidos poucos dias depois. No dia 11 de junho, “Perna” conseguiu fugir da cadeia. Na madrugada seguinte, ele foi preso nos fundos do escritório de Adriana Telini, na Rua Marechal Deodoro, Centro. Na oportunidade, ela disse à reportagem do Comércio que tudo não passara de um mal-entendido. “Meu cliente me procurou no escritório, que funciona junto à minha casa. No momento em que eu estava indo entregá-lo, a polícia chegou. Foi só isso que aconteceu”. As escutas telefônicas mostram que a história não foi bem assim. Após fugir, “Perna” liga para a amiga e diz que está na rua. Apavorada, ela oferece ajuda. “Onde cê tá? Quer vir esconder aqui na minha casa? Não tem ninguém aqui”. O foragido agradece. “Nossa, doutora! Então pega eu aqui”. Policiais que o recapturaram disseram que havia lanche e cerveja no escritório. Também havia sinais de que o criminoso e a namorada (uma amiga da advogada) teriam transado no local momentos antes da chegada da polícia. A suposta festinha foi negada por Adriana Telini. A Polícia Civil de Franca abriu inquérito para apurar o envolvimento da advogada em atividades criminosas. Ela é investigada sob a suspeita de favorecimento pessoal, formação de quadrilha e co-autoria em roubo. SERVIÇOS Ouça os diálogos completos na programação da rádio Difusora AM 1030 KHZ a partir das 8h deste domingo.

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