Nezinho é ídolo da torcida ribeirão-pretana e odiado pelos francanos. Para ele, ser xingado no Póli é sinal de respeito. O jogador declarou que ficará preocupado quando pararem de gritar seu nome. “Se não me xingarem é porque estou jogando mal”, disse.
Comércio da Franca - Onde e quando você começou a jogar basquete?
Nezinho - Sou de Araraquara e comecei a jogar basquete nas categorias de base e depois fui para Limeira, onde joguei até o juvenil. No segundo ano de juvenil eu fui para Ribeirão Preto (em 2000). Em 2001 já era titular da equipe adulta e estou nesse posto até hoje.
Comércio - Como é o seu relacionamento com o time?
Nezinho - Me dou bem com todo mundo. Ribeirão é uma equipe muito bem entrosada, todos os jogadores se respeitam. A gente dá risada o tempo todo. Saio bastante em Ribeirão, sou sempre parado, as pessoas vêm conversar comigo, as crianças, as vovós... Fico bastante feliz. Quando você fala de Ribeirão e lembram do meu nome é porque estou há seis anos na equipe e acho que marca. Quero ficar em Ribeirão para sempre.
Comércio - O entrosamento entre você, o Alex e o Arthur é muito grande. Já houve desentendimentos?
Nezinho - Já. Uma coisa que nunca esqueço, acho que o Alex nem sabe, estávamos jogando muito mal em Mogi e todo mundo saiu brigando. Eu o xinguei e falei palavrão, ele também falou palavrão pra mim, um quase empurrou o outro. Dois dias depois o Alex me chamou e falou que queria pedir desculpas, que nós tínhamos que ser amigos. Aquilo me comoveu, fiquei bastante emocionado e a partir daí é um parceiro, um amigão que eu tenho até hoje.
Comércio - Como você encara a rivalidade com Franca?
Nezinho - Acho que isso é muito legal, uma forma de respeito que eles têm com a gente. Eu encaro dessa maneira, porque eles não vão falar ou xingar se eu fosse ruim. Acho que é respeito, mas às vezes extrapola. Vejo no ginásio muitas vezes, o pai, a mãe e um filhinho pequeno, e o garoto já xingando. Se vou com meu filho, posso até me exaltar, mas não falo palavrão, porque ele vai se espelhar em mim. Às vezes têm crianças de 5, 6 anos falando palavras racistas. O resto é respeito mesmo. Quando eles pararem de xingar eu vou ficar preocupado, vou achar que estou jogando muito mal.
Comércio - Então, eles te xingam porque você joga bem?
Nezinho - É claro, eu acho que sim. Todo lugar que eu vou, Araraquara, Uberlândia, Franca, é onde há mais rivalidade e sempre me xingam. Enquanto continuar assim eu sei que estou jogando muito bem, então isso me faz concentrar muito.
Comércio - Já sofreu com isso no esporte?
Nezinho - Já, dentro de quadra. Eu tinha 20 anos e fiquei muito triste. Na época, até pensei em parar de jogar. Eu não esperava porque veio de um jogador mais experiente. Fiquei meio embananado. Ficava muito triste dentro de casa. Até um pouquinho depressivo, mas depois, com o tempo, fui esquecendo. Hoje, às vezes acontece, na Argentina aconteceu, mas olho e dou risada, não vale a pena. Dá dó uma pessoa em pleno século 21 agindo assim.(ML)
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.