O medo que abalou São Paulo


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Alfredo Palermo Os dois primeiros dias da semana que passou foram marcados, na capital do Estado, por duas datas de violência e de terror, protagonizadas pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Através de ataques e rebeliões de rara violência, aqueles elementos mantidos nos presídios de São Paulo, sincronizados com outros existentes fora das grades, realizaram verdadeiras batalhas campais na vida dos paulistanos. Portando armas de todo calibre, bombas de várias potências e ruidosas ações bélicas, atacaram quartéis, delegacias, redutos de policiais e deixaram em pânico a população pacífica da maior cidade do País. Além disso, em costumeiros processos de arruaças, os atacantes puseram fogo em vários ônibus, destruindo-os e até ferindo passageiros. Cessaram, por dois dias, as atividades comerciais, o funcionamento de escolas, o movimento das ruas e dos bares, a que se juntavam sedes de tribunais e outras repartições públicas. O resultado, após propostas de cessação dos protestos, permitiu a volta da tranqüilidade a São Paulo. Alguns números dessa tragédia de dois são importantes como lição sangrenta para as autoridades: segundo a Folha de S. Paulo, as ações criminosas mataram 154 pessoas, entre policiais e civis. E, em outra pesquisa, o jornal, ouvindo pessoas do povo, apresentou o seguinte resultado, em termos de medo da guerra: “Um pouco de medo, 33% ; Muito medo, 46%; Nenhum medo, 21%”. Vários intelectuais, entre jornalistas especializados e juristas, além de outros intelectuais de várias atividades, apontam causas próximas e remotas desses dias de terror e morte. Como responsabilidade geral, foram mencionados o Poder Judiciário, as autoridades federais e estaduais. No entanto, causas mais profundas podem ser registradas sem possibilidade de erro: a) falta de uma política racional e moderna sobre a responsabilidade da vida prisional e penitenciária; b) falta de estudos na área da criminalidade no país, abrangendo Executivo, Legislativo e Judiciário, cada um na sua área; c) ignorância injustificada da administração pública - federal e estadual - na reserva de recursos orçamentários para a construção de presídios amplos, modernos e seguros, a fim de realizar uma ressocialização adequada dentro dos princípios da humanização das penas. Muitos críticos, nesta hora, são pessimistas. Em momentos de apreensão como nestes dias de conflitos, é penoso ouvir a impressão, ligeira e atroz, do ex-ministro da Educação Cristóvão Buarque a um repórter: “Vamos deixar de construir escolas, temos é que construir cadeias!”

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