A Fazenda Nova Mata de propriedade do Grupo Samello, localizada em Cristais Paulista, foi vistoriada, por volta das 13 horas de ontem, por representantes da empresa. Não foram registrados grandes danos. A vistoria ocorreu uma hora depois dos últimos integrantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) deixarem o local, invadido no último dia 6.
O advogado do Grupo Samello, Reginaldo Luiz Estephanelli, e o diretor da MSM, Norberto Antônio Gaia, estiveram no local. A ação foi acompanhada de perto pelos coordenadores do movimento, Sonilda Silva e Otávio Gonçalves Cunha, além de alguns militantes.
A inspeção durou aproximadamente 20 minutos e foi executada aparentemente de forma amigável, sem troca de acusações. À primeira vista, nada de errado foi constatado pelos representantes do Grupo Samello. “Não houve depredação na área”, disse o advogado.
Já o diretor da MSM foi mais cauteloso e disse que a empresa fará uma análise sobre as condições em que a fazenda foi deixada pelos sem-terra para verificar se tomará alguma providência. “O importante é que a saída deles (sem-terra) foi feita de forma pacífica, sem maiores transtornos tanto para eles como para a empresa”, disse Gaia.
Pelo gramado ficaram muitos buracos, pedaços de bambu e folhas secas, eucaliptos, madeira queimada, plásticos e até lixo doméstico em sacolinhas. A coordenação do movimento se ofereceu para limpar toda a área após a vistoria, mas o advogado da Samello preferiu que a “faxina” ficasse por conta dos proprietários. “Assim será melhor e evitará que eles (sem-terra) continuem transitando dentro da fazenda”, afirmou Estephanelli.
Os sem-terra invadiram a fazenda na madrugada do último dia 6 e, embora a Samello tivesse conseguido reintegração de posse dois dias depois, os militantes demoraram dez dias para desocupar a área.
Mesmo com a saída da Nova Mata, os integrantes do MLST ainda não abriram mão do local invadido. Eles ficarão em uma área vizinha à propriedade do Grupo Samello e aguardam uma vistoria do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que avaliará se a fazenda é ou não produtiva, embora seja sabido que no local existem plantações de café e criação de gado. O novo terreno foi cedido pelo proprietário para as cerca de 300 pessoas do MLST por um prazo de 90 dias.
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