Este caso envolve uma outra adolescente de 16 anos, residente no bairro Santa Maria, família nuclear constituída, isto é, tem pai e mãe vivendo sob um mesmo teto. Dessa vez, os pais é que apresentaram a vítima à polícia por encontrá-la, depois de 16 dias foragida de casa, numa casa de massagem (eufemismo para prostíbulo) no Jardim Dermínio.
Ao ser surpreendida no local, a menina entrou num carro com outras cinco garotas e fugiu em disparada rumo ao Distrito Industrial.
Os pais perseguiram o veículo e quando o fizeram parar, diante da negativa das garotas de que sua filha se encontrava em seu interior, viram-na deitada, escondida no assoalho do carro. Pressionada pela família ela confessou que trabalhava naquela casa como prostituta, e que as outras garotas eram sapateiras de dia e garotas de programa à noite.
À saída da delegacia, a garota se desvencilhou da mão do pai que segurava o seu braço e tomou um táxi sozinha, com destino ignorado.
VALORES
Aqui os algozes parecem claros: o cafetão ou a cafetina que aliciam uma adolescente. Pais que não prestaram a devida atenção ao desenvolvimento da filha? Só um exame da dinâmica dessa família para dizê-lo.
Mas há um outro algoz invisível e insidioso, nesse ponto em que as duas histórias se encontram e, por mais que pareça arrogante a atitude da menina da casa de massagem, ela também não deixa de ser mais uma vítima das circunstâncias. As de vivermos numa sociedade de produção e consumo em que seres informes como crianças e adolescentes são fustigados pelos desejos, numa terrível crise de valores.
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