Uma menina de 15 anos, que vive no bairro Ângela Maria, registrando boletim de ocorrência contra a própria mãe acusando-a de “abandono de incapaz”. Desde a noite de terça-feira, 15, a adolescente se encontrava ausente de casa, sem notificar a mãe de seu paradeiro. Segundo consta, a menina passou esses dias na casa do namorado de 16 anos. De acordo com ela, que dormia sempre na casa do namorado, o casal, que se relaciona há oito meses, mantém vida sexual regular desde os três meses.
A garota conta que sua mãe “ficou muito nervosa” com sua ausência e a falta de notícias e a expulsou de casa. A avó do namorado, indignada, levou a menina à delegacia para prestar queixa e o Conselho Tutelar entrou em ação para apuração dos fatos. “Acho que a minha mãe não gosta de mim”, resume a garota.
Há várias interpretações possíveis. Como em todas as histórias, a tendência natural é buscar identificar logo de entrada o vilão e o mocinho para sabermos onde nos colocarmos. Numa primeira mirada, poderíamos nos compadecer dessa mãe sem domínio sobre sua cria desvairada e indomável, uma menina recém-saída da infância em cujo vocabulário “atividade sexual” e “coabitação” com o sexo oposto - conceitos que tendemos encaixar na fase adulta - são sua rotina. Então, a mãe, cabeça baixa, concordaria e, provavelmente, diria um texto conhecido: “já fiz de tudo. Ninguém segura essa garota”.
Também, no viés oposto, se acusaria incongruência dessa genitora permissiva de um lado, autoritária de outro. Se se incomodava com o comportamento da filha, por que não se manifestou antes? O que há de fato nesse relacionamento entre mãe e filha?
Outro, dos tantos olhares que se pode lançar sobre o fato colocaria a menina - afinal quase uma criança ainda - no papel da vítima. Uma garota sem rumo, sem referenciais, sem alguém que lhe delimite os atos, finalmente, um olhar que penetraria fundo no abandono dessa menina, temendo sim, pelo seu futuro.
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