MLST sai, mas não desiste da Fazenda Samello


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Integrantes do MLST desmontam barracas no acampamento da Fazenda Nova Mata. Grupo estava no local desde o dia 6 e se mudou para propriedade vizinha
Integrantes do MLST desmontam barracas no acampamento da Fazenda Nova Mata. Grupo estava no local desde o dia 6 e se mudou para propriedade vizinha
Os últimos dos 300 integrantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) devem deixar hoje a Fazenda Nova Mata, de propriedade do Grupo Samello e situada em Cristais Paulista, invadida na madrugada do último dia 6. A desocupação teve início na quarta-feira e só terminará quando todas as barracas forem transferidas para a Fazenda Jandira, vizinha à Nova Mata, o que deve acontecer hoje. Mas o grupo antecipa que não desistiu da fazenda e já solicitou uma vistoria ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para constatar se a área é realmente produtiva. Otávio Gonçalves Cunha, coordenador do MLST, disse que a saída, que deveria ter acontecido na semana passada, quando foi determinada a reintegração de posse, é uma estratégia. “Saímos para que a vistoria seja feita”, disse ele, que, há poucos dias, havia reconhecido que a área era produtiva. Na mesma oportunidade, admitiu ter invadido a fazenda apenas para chamar a atenção, mas agora, mudou o discurso. Em que pese o fato de o Grupo Samello não querer vender a fazenda, eles pretendem montar um acampamento lá. “Vamos lutar por ela. Por isso ocupamos a fazenda vizinha; para ficar de olho na propriedade”, disse Cunha. A Fazenda Samello é produtiva. Tem plantações de café e criação de gado. Mas, de acordo com o Incra, é preciso que o proprietário utilize pelo menos 80% do total da propriedade, o que só é possível checar após avaliação. Ainda não há data definida para a vistoria. MANIFESTO Solidárias à situação do Grupo Samello e indignadas com a invasão, a Abicalçados (Associação Brasileira de Calçados); o Sindicato da Indústria de Calçados de Franca; a diretoria regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), e a Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas da Alta Mogiana) produziram um manifesto contra a ação dos sem terra. No “Manifesto pela Legalidade”, publicado na Página A-6, as instituições dizem que o MLST tenta impedir o progresso. “A sociedade como um todo não pode ficar a mercê de grupos, movimentos ou organizações irregulares, à margem da legalidade, que tentam impedir o progresso, os investimentos e a paz social”, diz o documento. Os empresários prometem protestar. “Não podemos deixar que se instale no País uma crise institucional”.

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