Agricultura: prioridade tardia


| Tempo de leitura: 3 min
Depois de mais de três anos de um governo desastroso, ineficiente nos gastos e frouxo na ética, ouvimos agora do presidente Lula que o apoio emergencial ao agronegócio é ‘prioridade zero’ de seu governo. É mais uma das demonstrações da absoluta ausência de planejamento da administração petista, e da falta de visão estratégica para comum setor que gera um terço da riqueza nacional. Os problemas do campo não surgiram da noite para o dia. Medidas de emergência se tomam quando surgem fatos inesperados, uma tragédia natural, por exemplo. Não é o caso. Estamos, na verdade, diante de uma tragédia política. O governo federal acaba de anunciar mais um pacote de medidas emergenciais para o campo. É um novo paliativo, que passa longe da solução dos problemas do campo. Foi da mesma forma com a mal-fadada Operação Tapa-Buracos. Depois de três anos de governo, Lula descobriu que as estradas estavam em petição de miséria, e apresentou como solução um remendo, feito com obras sem licitação. E os buracos já estão abrindo. Foi dinheiro público jogado no lixo.Vivemos agora uma situação muito semelhante. O próprio ministro Roberto Rodrigues já admitiu que a safra de grãos 2006/2007 deve ser a pior em cinco anos. O último recorde foi atingido na safra 2002/2003, que o governo Lula recebeu do governo anterior com a histórica marca de 124 milhões de toneladas, jamais atingida nos anos subseqüentes. As perdas atingem R$ 30 bilhões. Dizer agora que a agropecuária é prioridade e soltar medidas de última hora soa como insulto a um setor que é responsável por 40% das exportações do País. O agronegócio fez o seu dever de casa: investiu em modernização, em pesquisa tecnológica, defesa agropecuária, e tem colhido recordes de produtividade e produção. Mas, o produtor rural está de mãos atadas contra a valorização do real, que derrubou a competitividade do produto nacional, sem falar na altíssima carga tributária, nos juros exorbitantes e na precariedade da infra-estrutura. Em São Paulo, o setor produtivo cresceu na adversidade. O valor de produção do agronegócio paulista saiu de R$ 21 bilhões na safra 2002/2003, o equivalente a 15,6% da produção nacional, para R$ 29,9 bilhões na safra 2005/2006 (participação de 17,3%). O governo paulista sempre esteve atento à importância estratégica do agronegócio, e a defesa agropecuária é um bom exemplo. São Paulo não registra um único caso de febre aftosa há dez anos. Lamentavelmente, o País viu surgir em 2005 focos da doença no Mato Grosso do Sul e no Paraná. O episódio levou os compradores externos a suspenderem as entradas de carne brasileira. Ficou evidente que o contingenciamento de verbas federais destinadas à sanidade animal contribuiu para o reaparecimento dos focos. O governo federal, no entanto, parece não ter aprendido a lição. A campanha de vacinação está em pleno andamento em 14 Estados brasileiros, mas ainda não foi liberado um centavo dos R$ 151 milhões prometidos para apoio a medidas nesta área em 2006. Parece que o governo Lula descobriu tarde demais que deveria dar prioridade ao agronegócio e àqueles que geram emprego e renda neste País. DUARTE NOGUEIRA é deputado estadual pelo PSDB-SP e ex-secretário estadual de Agricultura e Abastecimento de São Paulo

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários