Eles dedicaram a vida ao basquete. São respeitados, campeões e experientes. Hélio Rubens Garcia, 65, e Jorge Guerra, 46, foram jogadores do time de Franca e hoje são técnicos de equipes que jogam a Copa Magazine Luiza, o hexagonal do Campeonato Brasileiro, torneio que indicará os finalistas da temporada. Ambos são exemplos do que a paixão de uma cidade pode produzir a favor de um esporte profissional. Os dois, mais uma vez, se enfrentam hoje no ginásio Poliesportivo, às 19h30, em Franca, dirigindo equipes que lutam pelo título. Depois da derrota de ontem, o Mariner/Unimed tem obrigação de vencer. Rio Claro, de Guerrinha, está invicto.
Quem vencer dá um passo importante rumo à classificação à final do Nacional. Hélio Rubens, campeão nove vezes do Nacional, carrega as glórias de remontar uma equipe vencedora em Franca. Há mais de cinco anos a cidade não chega às finais da competição. Guerrinha, campeão Nacional em 2002, vem surpreendendo. Seu time bateu o Paulistano na fase classificatória em cinco partidas. Veio a Franca e quando poucos acreditavam em suas forças venceu Ribeirão Preto, vice-campeão sul-americano, e o Rio de Janeiro, atual campeão do País. Agora, quer mais.
O confronto é recheado de estrelas: Rogério, Murilo, Vargas, Helinho, Demétrius, Courtney, Atílio, Randal. Mesmo assim, as maiores estarão fora das linhas da quadra. Hélio Rubens e Jorge Guerra se conhecem há décadas. Ambos defenderam o time de Franca, a seleção do Brasil e são conhecidos por formar times capazes e poderosos. Guerrinha foi atleta de Rubens. Era o principal armador da equipe francana que marcou época no começo da década de 90 quando conquistou todos os torneios que disputou.
Entre seus momentos inesquecíveis está uma cesta do meio da quadra na Olimpíada de 1988 em Seul atuando pelo Brasil. Hélio Rubens se orgulha de revelar talentos. Foi ele quem lançou na seleção nomes como Anderson Varejão, Leandrinho, Nenê, Tiago Spliter e outros. Ambos são motivadores de grupos. “Os jogadores de sucesso treinam muito e sabem pensar enquanto jogam. Não adianta ter só habilidade e força física. É preciso saber pensar em quadra para não limitar sua capacidade”, disse Guerrinha anos atrás após ser indagado sobre o que um garoto que sonha ser profissional deve fazer.
Para Hélio Rubens, “dirigir uma equipe é mostrar o caminho, estar junto, é fazer um elogio sincero, ter o pensamento no coletivo e não no pessoal. A falta de motivação cria rugas na alma. Devemos estar sempre num processo constante de crescimento. Essa filosofia de vida é que procuro passar para meus atletas, acreditando que evoluindo como pessoa eles renderão muito mais como jogadores”.
São esses dois homens que hoje estarão na quadra do Póli lutando por mais uma vitória de suas equipes no hexagonal.
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