A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) anunciou ontem punição ao Corínthians de um ano sem poder atuar no Pacaembu, em competições internacionais organizadas pela entidade.
A pena é decorrente da confusão provocada por seus torcedores com policiais militares na partida de eliminação da equipe na Libertadores da América, dia 4, diante do River Plate. As cenas de corintianos ensandecidos querendo invadir o gramado do estádio e sendo contidos por duas dezenas de policiais ganharam o mundo e mancharam mais uma vez o futebol brasileiro. A Conmebol prometeu punição exemplar. Esperava-se a exclusão do Corínthians de torneios internacionais por um ou dois anos. A entidade, entretanto, preferiu punir o estádio, fechando suas portas para o clube que mais o utiliza.
A decisão foi comemorada no Parque São Jorge. Não mandar suas partidas no Pacaembu é pena branda para o tamanho da confusão.
O tumulto começou aos 36 minutos do segundo tempo daquela partida, logo após o River marcar seu terceiro gol na vitória por 3 a 1. O juiz chileno Carlos Chandía ficou aterrorizado quando viu aquela massa humana tentando invadir o campo. Pensou no pior e tratou de encerrar o confronto minutos depois.
Jogadores dos dois times apressaram-se em ganhar os vestiários. Mas a PM conteve a tentativa usando da força e de algumas bombas de gás lacrimogêneo. Oito torcedores foram presos e responderão a inquéritos. As torcidas organizadas foram afastadas dos estádios por 120 dias.
O técnico Geninho comentou sobre a punição, embora ainda não estivesse no comando do time naquela época. “Tudo aqui no Corínthians ganha dimensões gigantescas, pode ser um gol ou uma briga. Já vi confusão muito pior em que decisão alguma foi tomada”, disse, evitando comprometer-se.
O Corínthians disputará no segundo semestre desse ano a Copa Sul-Americana. Terá de alugar outro estádio em São Paulo ou levar suas partidas para o interior paulista. A pena estende-se para a Libertadores de 2007, caso a equipe obtenha uma das vagas de direito do Campeonato Brasileiro. Os quatro primeiros colocados terão acesso ao torneio.
O estádio do Morumbi deverá então ser requisitado. O superintendente do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, não faz qualquer restrição a isso. “Não podemos misturar nossa rivalidade de campo com os negócios do clube. Vivemos defendendo arenas multiuso e não podemos recusar um cliente como o Corínthians”, disse. O São Paulo fatura 12% das bilheterias dos times que jogam em seu estádio.
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