Estréia hoje O Código da Vinci


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Chegou o dia. A partir das 17h15 de hoje, o público poderá assistir na telona ao esperado filme O Código da Vinci. Pelo menos para a sessão das 20h15, 80 ingressos já estão vendidos. São os fanáticos que compraram o bilhete com antecedência durante a pré-venda realizada pelo cinema. O administrador Lucas Teles Andrade, 24, garantiu a entrada há duas semanas. “Preferi comprar antes para evitar filas na hora da estréia”, disse. Com um orçamento de US$ 125 milhões e o astro hollywoodiano Tom Hanks no papel principal, a película foi baseada no livro homônimo de Dan Brown, um fenômeno literário mundial. Na quarta-feira, o filme foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes (França). E vaiado. Como era de se esperar, a missão de condensar um livro de mais de 400 páginas repletas de detalhes minuciosos em duas horas e meia de filme deixou seqüelas. Para ganhar em agilidade, a história foi simplificada ao máximo. As pistas, que deixavam os leitores atentos a todos os detalhes, passam quase despercebidas. Na tentativa de corrigir alguns pontos frouxos no romance, tomaram várias liberdades - algumas acertadas, outras bastante preguiçosas ou simplesmente desnecessárias. Mas o pior é perceber o quanto os personagens ficaram rasos. Principalmente os secundários, como o bispo Aringarosa (Alfred Molina) e o investigador de polícia Fache (Jean Reno), cuja motivação não convence. Para tentar dar algum contorno aos personagens, o diretor aposta em flashbacks - muitas vezes incompreensíveis para quem não tem o livro como apoio. É o caso do sinistro assassino albino Silas (Paul Bettany), figura forte, mas pouco aproveitada. POLÊMICA Mas o que promete reacender a polêmica causada pelo livro logo depois de seu lançamento é a volta à boca do povo do suposto relacionamento de Jesus com Maria Madalena. Esse foi o ponto-chave tocado por Brown na obra literária e que causou reação na comunidade católica mundial. Segundo o enredo, Jesus teve um relacionamento carnal com Maria Madalena e deixou uma linhagem de descendentes. Para o historiador e especialista em religião católica, Ivan Manoel (vice-diretor da Unesp/Franca), isso é polêmico porque a vida pessoal de Jesus é um tabu para os católicos. “A condição humana de Jesus é colocada no mesmo nível do pecado. Por isso não se toca no assunto”, diz. Como estudioso do cristianismo, Ivan diz que toda a saga e simbologia do livro é um grande trabalho de ficção. “Não dá para pensar que é uma discussão científica ou de história da religião. Só nos chama a atenção para a necessidade de aprofundar algumas discussões”. Mas ele acha que colocar para a sociedade o questionamento de tabus e dogmas é sempre proveitoso. Quanto ao livro, diz que adorou. “O texto é gostoso de ler. É um grande romance policial. É mesmo digno de filme”, diz (Ivan ainda não assistiu ao filme de Ron Howard, portanto, suas opiniões são somente a respeito da publicação).

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