Franca, uma cidade com medo


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MEDO - Ônibus em chamas nas ruas de Franca: novo aviso do PCC deixa policiais e comunidade em pânico
MEDO - Ônibus em chamas nas ruas de Franca: novo aviso do PCC deixa policiais e comunidade em pânico
A onda de terror voltou a tomar conta de Franca na noite de ontem e a cidade viveu um fim de noite conturbado. Todas as unidades policiais estavam em alerta e de prontidão máximos, todos os policiais trabalhavam nas ruas da cidade e as cúpulas das Polícias Civil e Militar, incluindo o Corpo de Bombeiros e a Polícia Rodoviária, esperavam para qualquer momento novos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital). Tal qual já vinha acontecendo nas principais cidades do Estado, incluindo a Capital paulista. Na expectativa de novos ataques, em razão de ameaças do PCC e boatos de arrastão de violência que chegara à cidade, a Empresa São José, responsável pelo transporte urbano de Franca, decidiu recolher todos os veículos por volta das 23 horas. Entre domingo e segunda-feira a empresa teve três ônibus incendiados. Tão logo foi avisada da suspensão da circulação de ônibus, a Unesp (Universidade Estadual Paulista) dispensou seus alunos. No terminal urbano do Centro, nenhum ônibus circulou nos últimos 45 minutos do expediente normal, que vai sempre até 23h45. Sem ônibus, as pessoas que dependem do transporte coletivo foram obrigadas a retornar para casa a pé, de moto-táxi, de táxi ou a pedir socorro a parentes e amigos que possuem automóveis. O clima na cidade começou a mudar com a chegada de um aviso que o comando da Polícia Militar em Franca recebeu no fim da tarde, via CPI (Comando de Policiamento do Interior): a prontidão deveria continuar porque o PCC “voltaria a atacar” as unidades de segurança pública existentes na cidade. Tanto as que estão sob responsabilidade da PM quando as da Polícia Civil. Às 21h34 o Comércio da Franca obteve junto ao Corpo de Bombeiros a confirmação do alerta total, transmitida por um policial que tinha a voz verdadeiramente carregada de tensão: “Está tudo calmo, sem novidade, mas continuamos em alerta total”. Um minuto depois, ao consultar o Copom (Comando de Policiamento Móvel), a reportagem ouviu, no mesmo tom, que, “em função do alerta do CPI, a Polícia Militar continua de prontidão e todo o efetivo está nas ruas da cidade”. Ainda antes das 22 horas, o delegado Daniel Paulo Radaelli, responsável pelo Setor de Inteligência da Polícia Civil na região de Franca, reiterou, com ar de seriedade acima do normal: “Estamos em alerta e assim continuaremos, 24 horas por dia, até que não haja mais risco de ataques por parte do PCC”. Radaelli não confirmou a realização de um possível encontro das cúpulas das Polícias Civil e Militar de Franca, no fim da tarde de ontem, conforme cogitado em vários setores, mas declarou: “Reforçamos o pedido de alerta total, mantivemos o efetivo em regime de prontidão e assim ficaremos até que tudo volte ao normal”. Afastando qualquer possibilidade de relaxamento por parte da Polícia, Radaelli acrescentou que “os bloqueios em torno das unidades policiais de Franca não foram e nem serão retirados por muito tempo”. Na tentativa de transmitir tranqüilidade, o delegado garantiu que “a população não precisa ficar amedrontada” e que “todos devem continuar colaborando com a Polícia e nos ajudando a combater os boateiros de plantão”. Até porque as delegacias e quartéis não são os únicos estabelecimentos visados pelo PCC, que, procurando desestabilizar o governo, pode atacar também escolas e outras instituições e repartições públicas, segundo Radaelli, que, ao lado de todo sua equipe, não teve sossego desde que os ataques começaram, em todo o Estado, na noite de sexta-feira passada. A tensão atingiu também a vizinhança da ex-residência de um agente penitenciário no City Petrópolis. A casa havia sido metralhada na segunda-feira e ontem, já abandonada pela família do policial, que trabalha na penitenciária de Ribeirão Preto, foi invadida por um homem embriagado, detido após os vizinhos terem chamado a Polícia (Leia mais nesta página).

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