Bazalha manterá punições aos presos


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O delegado Alan Bazalha Lopes, após 30 dias de férias, reassumiu ontem sua função de diretor da Cadeia Pública do Jardim Guanabara e disse que manterá as punições impostas aos presos pelo também delegado Eduardo Lopes Bonfim, que o substituiu durante as férias. Entre elas, os detentos ficarão por 30 dias sem visitas, sem alimentos trazidos de casa, uma semana sem banho de sol, portanto, reclusos nas celas. Também continuam as restrições a “regalias” como a utilização de aparelhos eletrônicos como televisores, rádios e ventiladores. Dono de um estilo considerado mais moderado em relação ao de Bonfim, Bazalha disse que priorizará a manutenção da ordem no presídio e uma fiscalização mais rigorosa para que objetos como celulares, facas e até balanças de precisão, encontrados ontem, além de drogas, não entrem na cadeia. Comércio da Franca - O senhor reassume o presídio em uma situação crítica. Como vai agir? Alan Bazalha Lopes - Como ocorreu a rebelião, com o carcereiro Marcelo tendo sido tomado como refém, foi feita uma revista. Agora vou manter e cumprir as penalidades administrativas impostas pelo doutor Eduardo em decorrência do ato de insubordinação e vou tentar equacionar o problema. Comércio - Cinco caminhões de lixo e entulhos foram retirados da cadeia. O número impressiona? Alan - Não resta dúvida. Isso é um processo desencadeado pela superlotação. Da outra vez que assumi a cadeia, há três anos, eram 250 presos. Quando reassumi, em setembro do ano passado, já eram mais de 400, quase 500 presos. Isso acaba prejudicando a manutenção da segurança na unidade. Comércio - Na faxina nas celas foram encontrados celulares, faca de açougueiro, maconha e até uma balança de precisão. Como o senhor vê isso? Alan - É uma vergonha. Isso é uma vergonha. O material apreendido nessa situação denota tráfico e, mais ainda, a possibilidade de envolvimento efetivo de funcionários deve ocasionar investigação das delegacias especializadas e pela Corregedoria para que o culpado seja identificado e punido até com a demissão. Comércio - O senhor pretende endurecer a fiscalização para impedir a entrada desse tipo de coisa no presídio? Alan - Devo procurar a administração novamente para reforçar a necessidade de se realizar uma investigação para apurar essa situação que já vem se verificando há algum tempo. Comércio - Como ficará a situação dos presos agora? Alan - É um esquema manter a disciplina dos presos com a manutenção de alguns benefícios. Mas isso será retomado de acordo com o comportamento. Há alguns dias houve a tentativa de fuga e de imediato, como punição, foram retirados televisores e aparelhos que poderiam manter uma maior tranqüilidade no cárcere. Comércio - A cadeia do Jardim Guanabara é segura? Alan - Infelizmente, tem de se repensar o sistema penitenciário. O pior exemplo de um sistema desses é uma cadeia pública. Com a superlotação, temos aqui presos condenados, outros em regimes mais benéficos. É complicadíssimo. Comércio - O CDP, se vier mesmo, resolverá o problema em Franca? Alan - São pelo menos quatro vezes mais vagas que no Guanabara. Tem arquitetura moderna. O CDP tem mais funcionários e terá uma estrutura mais adequada para a situação que estamos vivendo. O modelo cadeia pública é do século retrasado. Não tem que existir. O CDP seria o paliativo para o problema, sim. Comércio - Com essa confusão, todos presos voltaram do indulto do Dia das Mães? Alan - Correto. Esses são presos que deveriam estar em uma colônia agrícola ou em outros projetos de ressocialização, pois não criam problemas.

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