Polícia encontra até balança de precisão na cadeia


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A Polícia Civil finalizou ontem o pente fino na Cadeia Pública do Jardim Guanabara, iniciado na segunda-feira. Mais dois caminhões de entulhos foram retirados, totalizando cinco. O que mais chamou a atenção foi uma balança de precisão encontrada em uma das 28 celas revistadas. O equipamento estava cuidadosamente acondicionado em uma caixa de madeira, de aproximadamente 10 x 30 cm. Faca de açougueiro, pelo menos cinco grandes porções de maconha, além de várias “trouxinhas”, e dois telefones celulares também foram encontrados. O delegado Alan Bazalha Lopes, que voltou ontem de férias e reassumiu a direção do presídio, classificou como vexatório o fato de tantos objetos estarem dentro das celas. Ele admitiu que pode ter havido negligência na revista de familiares em dias de visita ou, pior ainda, participação direta de policiais na entrada dos objetos. “É uma vergonha. Isso é uma vergonha. Todo material apreendido irregular que denota uma situação de tráfico e, mais ainda, possibilidade de envolvimento de funcionários. Esse fato tem de ser investigado pela delegacias especializadas e pelas Corregedoria para que o culpado seja identificado e até demitido”, disse. Lopes reconheceu que não é fácil impedir a entrada de tantos materiais ilícitos no presídio ou até mesmo provar qualquer envolvimento de policiais com criminosos. O volume de pessoas em dias de visitas é grande e uma atitude drástica com relação aos funcionários, sem provas concretas, poderia se converter em um tiro no próprio pé. “Teríamos de pegar a pessoa no flagrante, o que é complicado. Poderíamos até submeter funcionários a revista pessoal, mas isso causaria um grande desgaste e não representaria a solução dos problemas. Mas vamos ficar alertas”, disse o delegado. Alan Lopes afirmou também que todas as sanções punitivas impostas pelo delegado Eduardo Lopes Bonfim, que o substituiu durante suas férias, serão mantidas aos presos. Entre elas, um mês sem visitas, televisão, rádios e ventiladores, entre outras “regalias” concedidas ao detentos. “Esses benefícios são concedidos ou não de acordo com o comportamento dos presos. Manterei o que o Eduardo estabeleceu e essas regalias só voltarão se eles fizerem por merecer”, disse. Uma concessão foi feita. O “faxina” (preso de bom comportamento que tem acesso aos corredores) voltou a ajudar na entrega dos marmitex, o que estava proibido desde a rebelião. Os presos ameaçaram greve de fome na segunda-feira e, ontem, se alimentaram normalmente, mas sob a condição de a comida ser entregue pelos seus colegas. PÓS-GUERRA No primeiro dia de faxina, na segunda-feira, três caminhões de lixo já haviam sido retirados do presídio. Com as duas viagens de ontem, cerca de 30 toneladas de entulhos foram removidos. Os 25 televisores, praticamente um para cada cela, ventiladores e rádios continuam guardados na cadeia, mas os detentos ficarão pelo menos 30 dias sem utilizá-los.

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