Um relatório oficial, preparado pela Departamento de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal com base em documentos fornecidos pela prefeitura, mostra que a dívida do município caiu 20,1% desde o início da administração Sidnei Rocha (PSDB). É um número importante. A dívida do município, que no final do governo Gilmar Dominci (PT) somava R$ 129 milhões, foi reduzida para R$ 103 milhões. Em quinze meses de governo, foram pagos R$ 26 milhões aos credores. A média impressiona: a cada mês, o prefeito tucano e sua equipe conseguiram reduzir em R$ 1,4 milhão o tamanho do rombo.
Os números, positivos, poderiam ser comemorados pela população se o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) e seus principais assessores se dispusessem a explicar como e em quais condições o resultado foi alcançado. Rocha, que há meses comemora a redução da dívida, se nega a atender a reportagem do Comércio para tratar do assunto.
O secretário de Finanças, Sebastião Ananias, até fala, mas pouco esclarece. Segundo Ananias, dois fatores foram fundamentais para o bom resultado: em primeiro lugar, o desconto obtido no início do governo junto a credores que aceitaram reduzir o valor dos débitos com a prefeitura em troca do pagamento rápido do valor devido. Em segundo, a renegociação e alongamento dos pagamentos devidos aos grandes prestadores de serviços, como Colifran, CTBC, Sabesp e CPFL, que respondiam por mais da metade da dívida atrasada da prefeitura.
O que, exatamente, foi economizado em cada uma dessas etapas e quanto isso representa no total da dívida são informações que o secretário afirma não ter em mãos. “Eu precisaria realizar um levantamento para isso”, disse Ananias.
DÚVIDAS
Na falta de explicações, ficam as dúvidas. O vereador Valter Gomes (PSB), membro da Comissão de Finanças e Orçamento e autor do requerimento que resultou no relatório que aponta a redução da dívida, diz que vai investigar. “Vamos pedir um relatório com os detalhes dos valores pagos”.
Para o vereador, a relação entre receitas e despesas atingiu o equilíbrio e, sem possibilidade novas renegociações com credores, o ritmo de redução da dívida deve desacelerar. “A tendência é a dívida estacionar ou reduzir vagarosamente”.
Valter Gomes também espera encontrar explicações no relatório detalhado sobre o preço pago pela população pela redução da dívida. “Arrecadamos mais de R$ 11 milhões de IPVA e não se vê nenhum investimento real para recuperar a malha viária da cidade”, diz o vereador. “Nâo há investimentos”.
Colaborou Wildnei Teodoro.
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