A safra 2006/2007 do café da região já começou. Apesar de prever uma colheita de 1,5 milhão de sacas do produto e planejar empregar 30 mil pessoas entre diretos e indiretos, a região oferece 30% menos vagas em relação a dez anos atrás, quando a safra era de aproximadamente 1,1 milhão de sacas. Apesar do crescimento na produção, o nível de emprego permanece o mesmo. A razão da estabilidade, segundo informações do setor, é o incremento de máquinas agrícolas na substituição da mão de obra, principalmente para a colheita do café.
Menor tempo de serviço em relação à quantidade colhida, desperdício mínimo, e ausência de problemas trabalhistas. Estes argumentos são suficientes para seduzir cafeicultores na hora da compra de colheitadeiras. A máquina, por exemplo, substitui cem homens na colheita por um turno de oito horas de trabalho diário. “As de hoje, por exemplo, têm um nível de desperdício muito baixo, o que também tem feito muitos agricultores comprá-las”, disse Anselmo Magno de Paula, engenheiro agrônomo e gerente do Departamento de Café da Cocapec (Cooperativa dos Cafeicultores e Pecuaristas da Região de Franca).
ADEQUAÇÃO
Apesar de muitos cafeicultores já preferirem máquinas (não existe levantamento formal de quantos agricultores têm máquinas), Anselmo garante que ainda existe muito emprego para homens e mulheres no setor. Para este ano, por exemplo, um batalhão começa a ser contratado nesta segunda quinzena de maio, quando a colheita ganha o campo. “As máquinas nunca substituirão o homem, principalmente na agropecuária”, disse Anselmo.
Cerca de 30 mil trabalhadores rurais serão necessários para trabalhar durante todo o período de safra, que vai até agosto. “Destes, pelo menos 15 mil vão para a colheita no campo e o restante é pulverizado nos terreiros, torreifadoras, transporte, barracões de estocagem e outros serviços relacionados.” De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Franca, Belchior Américo de Paula, as carteiras de trabalho assinadas começam a chegar nesta semana.
O predomínio de tempo seco e ensolarado nas lavouras paulistas tem favorecido o início da colheita 2006/2007. Essa é a boa notícia. A ruim, é que o início de safra já influencia no preço do produto. Segundo levantamento do CNC (Conselho Nacional do Café), os valores pagos ao produtor acumulam queda de cerca de 25% nos últimos 12 meses. Um dos motivos apontados para a queda nos preços praticados internamente é a safra até 23% superior à anterior. Mas segundo Anselmo Magno, da Cocapec, o setor prevê uma demanda equilibrada à oferta, o que poderá evitar uma queda muito acentuada.
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