As exportações de calçados das empresas de Franca registraram significativa queda no primeiro trimestre do ano. Em número de pares, dados do Sindifran (Sindicatos das Indústrias Calçadistas de Franca) apontam uma redução de 25%. No valor faturado, o percentual foi um pouco menor, 15%. Nos três primeiros meses deste ano, as empresas francanas exportaram U$ 35,9 milhões,contra U$ 42,3 milhões de janeiro a março de 2005.
A comparação entre o desempenho da cidade no primeiro trimestre deste ano e do País no primeiro quadrimestre de 2006 mostra que a situação em Franca é pior que a média nacional. Em média, as exportações nacionais caíram 8% segundo dados da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados). A comparação entre o faturamento é ainda mais alarmante. As empresas brasileiras mantiveram seu faturamento na casa dos U$ 626 milhões.
Como de praxe nos últimos meses, a explicação para o mau desempenho do setor é uma só: o câmbio. “O que é prejudicial de maneira indiscutível é a desvalorização do dólar”, disse Elcio Jacometti, presidente da Abicalçados. “Quanto mais barato o dólar, mais você precisa aumentar o preço do produto. Quanto mais você aumenta o preço, mais o mercado encolhe. É uma questão de leis do capitalismo”, explicou. De acordo com Jacometti, mesmo com o valor agregado ao produto, não há como manter as vendas.
O coordenador de relações institucionais do Sindifran, Renato Torres, diz que a saída buscada por todos, mas especialmente pelas empresas calçadistas de Franca, tem sido a tentativa de encontrar novos mercados. “As empresas têm se esforçado para aumentar a cartela de clientes”. Jacometti concorda. “Feiras internacionais e aperfeiçoamento do produto para justificar o valor. Assim estamos tentando sair da má fase. É claro que não existe mágica. Mas não esperemos que o governo vá resolver os problemas da categoria com o câmbio”.
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