Há quatro anos interditada, a Gruta do Itambé, em Altinópolis, aguarda autorização do Ibama para poder receber visitas.
Altinópolis é uma cidade conhecida por sua natureza exuberante, que é a principal razão para que turismo não esteja somente relacionado a festas e lugares históricos. Alguns dos principais trunfos do turismo ecológico na cidade são, ou poderiam ser, as oito grutas catalogadas na área do município, nenhuma aberta à visitação pública. A de maior destaque é a Gruta do Itambé, com uma fachada de 28 metros de altura e 355 metros de galerias, a apenas nove quilômetros da área urbana. Desde 2002, o local está interditado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e, atualmente, a prefeitura de Altinópolis tenta receber uma licença ambiental para que à visitação seja aberta ao público.
As grutas estão localizadas em áreas particulares e os proprietários, de acordo com a diretora de Turismo da cidade, Lucila Meirelles, não concordam com a visitação pública, salvo apenas uma exceção: a Gruta do Itambé. Problema revolvido? Não. Para que possa ser explorado turisticamente, o local tem que estar em conformidade com as leis ambientais e receber o aval do Ibama para que sejam liberadas as visitas. “Enquanto isso, visitas são permitidas apenas com o acompanhamento de um guia. Em datas especiais ou finais de semana prolongados, a prefeitura disponibiliza funcionários para fazer o serviço”, disse Lucila. Outra opção para ter acesso à gruta, segundo a diretora de Turismo, é por meio das pousadas e hotéis da cidade, que contam com guias próprios e apresentam a gruta a seus hóspedes. “É necessário fazer um plano de manejo para que o local possa ser explorado turisticamente e o custo estimado é em torno de R$ 100 mil”.
Lucila explica que o plano de manejo exigido inclui estudos da formação da caverna, da capacidade de carga para visitação, da trilha, da fauna e da flora do local. Para diluir os custos, a prefeitura estuda parcerias com universidades e instituições educacionais. “Tão logo a administração atual assumiu (em janeiro de 2005), começamos a negociar com o Ibama e estamos aguardando uma licença ambiental, que autorize a visitação, ainda que por um período determinado enquanto não se faz o plano de manejo”, disse Lucila. “Por orientação do Ibama, publicamos em jornais local e regional, dia 28 de abril, o pedido de licença de operação para a Gruta do Itambé e a documentação publicada já foi enviada ao Ibama. Agora, depende exclusivamente deles para começarmos a operar. A nossa parte está feita”.
Os funcionários do Ibama estão em greve desde o último dia 4 e, apesar de diversas tentativas feitas pelo Comércio, não foi possível obter informações sobre a situação da Gruta do Itambé junto a gerência executiva do órgão, em São Paulo. A informação é de que a greve se estenderá por tempo indeterminado.
BELEZA
Além da imponente Gruta do Itambé, a mesma área de aproximadamente dois hectares, abriga a Cachoeira do Itambé, com uma queda d’água de quase 50 metros. Vê-la só é possível entre janeiro e maio, pois durante a maior parte do ano, de junho a dezembro, período de estiagem, a água seca. Por suas características e por ser distante apenas nove quilômetros da área urbana, o local sempre foi um dos recursos naturais mais visitados de Altinópolis.
Uma curiosidade desperta a atenção logo ao chegar à gruta. Dentro da caverna, constituída de arenito botucatu, existe um altar místico, onde um aviso, escrito com tinta e datado de 14 de agosto de 1937, pede para que os visitantes não escrevam nas paredes do altar e, visivelmente, o pedido foi seguido a risca: só não existem nomes gravados naquele local, pois em todas as outras paredes acessíveis da gruta há nomes e datas gravados em diferentes épocas. Em um salão no interior da gruta, há inscrições datadas de 1898.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.