São Paulo não pode parar. São Paulo é maior. O Estado bandeirante não é maior só por ter a maior, economia ou a maior população. É maior pela grandeza de seu povo. Grandes também são os problemas que enfrenta. Mas, ainda assim, o povo paulista é maior que a adversidade. Na 3ª Guerra Paulista, será maior que o crime.
As ações pavorosas de criminosos expuseram cetas mazelas, como o fiasco do sistema carcerário, que além de não recuperar ninguém, coloca presos que cometeram pequenos delitos em condições sub-humanas e em contato com grandes criminosos, transformando as cadeias em infernos superlotados e escolas da marginalidade. Voltaram à tona os debates sobre a falta de oportunidades, sobre a lamentável situação da Educação, que acaba arrastando jovens para o crime. Sim temos nossas mazelas. Temos que falar sobre elas. Temos que pensar o futuro. Contudo, existe, antes do futuro, o presente. E este exige resposta imediata. As crianças de ontem são os cidadãos e bandidos de hoje. As crianças de hoje são os cidadão s ou bandidos de amanhã. Mas, os bandidos de hoje devem ser tratados como bandidos, leite já derramado.
A resposta deve vir de cada cidadão que deve continuar sua rotina na maior normalidade possível.
Sim, estamos em guerra. Pessoas que querem usurpar o poder. Querem passar por cima da Justiça. Querem decidir coisas que são de competência do Governo, que, por mais defeitos que tenha, está legitimado pela vontade do povo. Querem decidir onde podemos ir, a que horas voltar. Querem nos apavorar, mudar nossos hábitos. Não podemos permitir. É por isso que cada paulista é um soldado.
Os jornais em 1932, ano da Revolução Constitucionalista, a Segunda Grande Guerra Paulista, a cidade de Franca se uniu em torno do ideal paulista, de liberdade, de modernidade, da constituição. Os jovens se alistavam e iam lutar contra o exército do golpista ditador Getúlio Vargas, enquanto as mulheres costuravam fardas. A clube sírio e a sociedade italiana doavam capacetes para as tropas paulistas, crianças levavam recados e comida. Madames doavam pulseiras e brincos para a campanha “Ouro por São Paulo”, em arrecadação de fundos para a causa constitucionalista. O Comércio trazia as notícias do front. Do padre ao jornalista, da costureira ao padeiro, todos os francanos, todos os paulistas lutavam em seu cotidiano contra a brutalidade e arbitrariedade de Vargas.
Uma das formas de combater é denunciar a hipocrisia do comerciante que reclama da falta de segurança mas não fornece notas fiscais aos seus clientes (deixando de pagar impostos estaduais que dariam mais recurso às forças de segurança do Estado).
Temos também que diminuir a receita do crime, deixando de comprar seus produtos. É verdade que é o próprio Estado, que comete o erro de proibir determinadas coisas, fazendo com que o crime monopolize a receita advinda destes. Mas, como a questão do fim desse monopólio só pode ser resolvida a médio prazo (através de reformas na legislação), temos que boicotar a fonte de receita do crime. Como a maioria dos consumidores desses produtos é de usuários ocasionais, é possível fazer os fornecedores verem que a violência é ruim para seus próprios negócios. Consumidores que enriquecem os traficantes estão entre estudantes, pais de família, médicos, advogados. Pessoas que podem deixar determinado hábito para garantir o direito aos outros.
Devemos apoiar os policiais. É verdade que muitas vezes eles falham e merecem ser criticados quando erram. Mas são eles que permanecem acordados para podermos dormir, são eles que vão em direção aos lugares dos quais desejamos estar distantes. Muitos dos policias que tombaram nesses dias foram mortos enquanto trabalhavam em uma segunda atividade por o salário que eles ganham arriscando a vida não ser suficiente para ganhar a vida. Estão na linha de frente dessa guerra, quase como voluntários (como os heróicos voluntários da Franca de 32).
Não devemos fazer comparações infantis. Aqueles que declararam guerra aos paulistas não são terroristas. Embora usem métodos questionáveis, terroristas lutam por um povo, por liberdade, por justiça, por Deus. Mesmo que não concordemos, sempre existe uma causa abraçada pelos grupos terroristas. É verdade que a realidade da exclusão, injustiça social e miséria vitimou muitos dos criminosos, mas eles não lutam por um mundo mais justo, por transformações na sociedade, mas, se entregaram ao crime, buscando poder para si, oprimindo inocentes, sem bandeira, sem ideal, sem Deus.
Os emboabas, nossos inimigos na 1ª Guerra Paulista no século XVIII, também eram covardes e usurpadores, mas, pelo menos, tinham uma bandeira, a da Coroa Portuguesa. Agora não. É São Paulo contra o caos.
ARCANJO PALADINO é historiador
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