Oartigo 1º das Missões e funções da educação superior, proclamadas pela Conferência Mundial sobre o Ensino Superior da Unesco, realizada em Paris diz: “Contribuir para a compreensão, interpretação, preservação, reforço, fomento e difusão das culturas nacionais e regionais, internacionais e históricas, em um contexto de pluralismo e diversidade cultural”.
O tema, tem sido núcleo de debate em seminários, congressos e cursos das instituições de ensino superior, no Brasil e no mundo, dada a importância de um diálogo profícuo e equilibrado entre os povos de diferentes raças, cultura, usos e costumes. E sempre fica a conclusão de que o conceito de diversidade cultural é fator fundamental para a construção contemporânea das políticas públicas, especialmente nas áreas da cultura e políticas sociais. A Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural e os atuais esforços que se desenvolvem no âmbito da Unesco, em torno de uma futura Convenção Internacional sobre a proteção e promoção da diversidade cultural evidenciam a centralidade dessas discussões.
Não será necessário dirigir um olhar para o exterior com o intuito de se comprovar a importância, num mundo globalizado, de se aproximarem povos e se lhes respeitarem as suas manifestações culturais. A sociedade brasileira reflete, por sua própria formação histórica, o pluralismo. Somos, nacionalmente, hoje, uma síntese intercultural, não apenas um mosaico de culturas. Nossa singularidade consiste em aceitar - um pouco mais do que os outros - a diversidade e transformá-la em algo mais universal. Sabemos, por experiência própria, que o diálogo entre culturas supera o relativismo cultural rudimentar e enriquece valores universais.
E olha que são tantos os desencontros: a América Latina dividida em seu intento de deixar sua condição emergente e se tornar crucial para a política, economia e diplomacia mundiais; os embates entre árabes palestinos e judeus israelenses; a intervenção norte-americana no Oriente Médio; ocidente versus oriente; Paquistão, Irã e Coréia do Norte com suas políticas de proliferação nuclear; conflitos tribais africanos; guerras de origem étnica e/ou religiosa que ainda são travadas no mundo...
Diante de tal cenário, é cada vez mais emergente destacar o estabelecimento de vínculos entre as diversas culturas, de tal forma que se passe a pensar em desenvolvimento conjunto em vez de defender o crescimento isolado e excludente das nações.
Foi pensando nisso que, em dezembro de 2002, a Assembléia Geral da ONU decidiu proclamar o dia 21 de maio Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento.
A Universidade de Franca, imbuída do mesmo intento de conscientizar a opinião pública sobre os benefícios de se reconhecer, defender e divulgar a diversidade cultural, comemora a data nesta próxima quarta-feira, dia 17 de maio, em seu campus. Os eventos estarão abertos a toda comunidade.
Diversas atividades culturais serão oferecidas por vários cursos da Unifran: peças de teatro, desfiles de moda a partir de distintas tendências culturais, estandes de diversos países montados pelo curso de Turismo, degustação de comidas típicas... O curso de Educação Artística desenvolverá, em suas oficinas de artes, a elaboração com o público presente de máscaras e ícones de culturas diversas; e os cursos de Letras e Tradutor e Intérprete salientarão os aspectos culturais lingüísticos.
Segundo o prof. Marcos Alve de Souza, diretor do curso de História da Unifran, ‘A participação nessas atividades é gratuita e todos estão convidados a celebrar, juntamente com a comunidade de funcionários, professores e estudantes da Unifran, a diversidade cultural e a promoção e ensino, às gerações presentes e futuras, da pluralidade das culturas enquanto uma riqueza que deve ser defendida e compartilhada por todos.’
EVERTON DE PAULA é Professor, escritor, conferencista. Fundador e membro da Academia Francana de Letras
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