Domingo: dia de assistir a jogos de futebol e não de namorar


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O domingo é um dia que, por si só, parece ser de mansidão, próprio para namorados passearem de mãos dadas pelo shopping ou pelo calçadão no Centro e terminarem o dia assistindo a um filme. Isso era o que Iara Nunes Sousa, 26, gostaria de fazer todos os fins de semana, mas por um pequeno detalhe isso não é possível. O vendedor Rodrigo Borges Silva, 27, namorado dela, é um corintiano fanático e sair de casa, em horário de jogo, é terminantemente proibido. “Assisto de dois a três jogos por dia se puder. Se não for do Corínthians, eu vejo para torcer contra”, disse o torcedor. Eles estão juntos há onze meses e durante esse tempo namorar durante os jogos está fora de cogitação. “Durante o intervalo, até que pode rolar uns beijinhos, mas na hora da partida tenho que prestar atenção”, comenta Rodrigo. Iara não gosta muito do fanatismo, mas com a convivência aprendeu até a torcer pelo Timão. “Prefiro ficar com ele a fazer outra coisa, então assisto ao jogo, mas quietinha”. Para se motivar, descobriu até uma fórmula. “Tem alguns jogadores bonitinhos, como o Nilmar, e é um motivo para eu ver o jogo”. Mas, para quem pensa que essas “segundas intenções” podem causar ciúme em Rodrigo, na verdade, repercute o inverso. “Acho bom que ela encontre algo interessante, porque aí pode ficar torcendo comigo”. Ele assumiu que preferiu não revelar essa paixão corintiana para a namorada no começo dos encontros. “Não falei disso quando a gente se encontrava no início. Até porque, na verdade, nunca interferia nos jogos”. O interesse do namorado pelo Timão, segundo Iara, foi descoberto aos poucos e por isso não causou problemas. Para o vendedor, o fanatismo dele não chega a ser doença porque não atrapalha a convivência com outras pessoas. “Não tenho coisas espalhadas pela casa, por exemplo. Coleciono chaveiros, camisas, mas tudo para mim, sem ficar exigindo que os outros usem”.

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