O futebol é o esporte preferido dos brasileiros, quanto a isso não há dúvidas. E há jovens que o encaram com tanta seriedade que podem colocar em risco até a noite de núpcias por causa de uma partida decisiva do time do coração.
Uma história, à primeira vista maluca, aconteceu com Eduardo, 26, e Nise Franchescini, 27, casados há mais de três anos. Eles dizem viver um verdadeiro triângulo amoroso, em que o amante dele, no caso, é o time do Palmeiras.
O fato mais curioso desse relacionamento aconteceu no dia 15 de novembro de 2003. Um dia depois do casamento, haveria dois grandes eventos: a lua-de-mel, programada em um hotel perto de Porto de Galinhas (PE), e o jogo decisivo do Palmeiras para tentar se livrar do rebaixamento.
Como bom marido e palmeirense roxo, o que Eduardo poderia fazer? “A gente chegou no hotel, almoçamos e fomos para o quarto; eram umas 15 horas. O jogo estava marcado para as 16 horas. Tive que me segurar para não ligar a tevê, mas consegui porque estava com a mulher da minha vida. Só que, por volta das 19 horas, dei uma ligada para saber como tinha acabado o jogo e descobri sobre o rebaixamento”, contou.
Escolhas da vida, segundo o rapaz, que hoje ri dessa história com a mulher. Segundo Nise, que é são-paulina, o Palmeiras é o amante do marido, mas ela aprendeu a conviver com isso e até precisou aprender sobre futebol para conversar com Eduardo.
“É complicado porque a vida dele gira em torno do futebol. Ele me fala que já melhorou bastante desde quando era solteiro, mas acho que ainda falta muito”, brinca ela.
O caso dos dois já foi levado até para um terapeuta, que prescreveu: a paixão de Eduardo pelo clube é irrevogável e os dois têm de aprender a conviver com isso. Eles quase não assistem a jogos juntos porque Eduardo sempre se exalta durante os lances.
Para atenuar conflitos com horários de viagens ou passeios simultâneos e horário de partidas, o rapaz inventou uma forma de comunicação com um colega de trabalho para se manter informado. “Se eu não puder assistir, um amigo me manda mensagens pelo celular de todos os lances. Se for ele, eu faço isso”. Nise aprovou a iniciativa. “Foi a melhor idéia que os dois tiveram, mas, na minha opinião, tem muita coisa que ainda atrapalha a gente”, assume.
O relacionamento, mesmo assim, vai às mil maravilhas. A única coisa de que Eduardo não gosta são as mandingas que Nise faz para o Palmeiras ir mal nos campeonatos. “Depois que me casei com ela, meu time sempre está entrando em crise”, disse, entre risos. “É bem feito, por ele não ficar comigo”, responde ela.
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