No outono são comuns as mudanças bruscas de temperatura e clima seco. A combinação é a principal responsável pelo surgimento de crises alérgicas, viroses e infecções causadas por bactérias. A população sofre com as doenças e o volume de atendimento nos consultórios médicos, prontos-socorros e hospitais fica 45% maior que em outros períodos do ano.
Desde o mês passado, o diretor de assuntos do interior da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, o pneumologista Ciro Botto, notou aumento de até 45% nas ocorrências de gripe, resfriado, pneumonia e crises alérgicas. “Cinco dias com o tempo seco e de manhãs e noites frias são suficientes para lotar hospitais, prontos-socorros e consultórios”, disse ele, sem precisar o número exato de atendimentos. Como o tempo seco e a fumaça das queimadas agridem as vias respiratórias, o sistema de defesa do corpo fica alterado e essas doenças, que normalmente são crônicas, pioram.
As crianças e idosos são os que mais sofrem nesta época. Só o Pronto-Socorro Infantil tem recebido, desde a segunda quinzena de abril, quase 400 pacientes por dia. A quantidade é 25% superior à média e exige reforço médico para atender toda a demanda. “Detectamos os horários de pico (entre 10 e 12 horas e 19 e 22 horas) e determinamos que nestes períodos os médicos dobrem a carga horária para consultar as crianças. Mesmo assim, há dias em que a espera chega a duas horas”, disse o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira. Nos horários menos críticos, três profissionais atendem os usuários e, nos mais tumultuados, quatro. Os reflexos das crises alérgicas do outono também são sentidos nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde): o número de inalações cresceu 20%. No Hospital Unimed, os atendimentos e internações ocasionados por doenças respiratórias cresceram 15%. A estimativa é a de que, nos meses de inverno (de junho a agosto), o crescimento ultrapasse os 50%. Algumas medidas simples podem amenizar vários sintomas (Veja no quadro ao lado).
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