Alfredo Palermo
O Brasil vive uma época tristemente famosa: a sucessão de notícias de corrupção envolvendo agentes do Executivo e do Legislativo federal. O ano de 2006 está ganhando manchetes sucessivas como de surtos epidêmicos de criminalidade, no geral com características de quadrilha. E isso traz-nos uma advertência: neste ano de eleições, precisamos registrar os nomes dos infratores e das quadrilhas, para higienizarmos o próximo pleito.
Tudo começou, há mais de um semestre, com as denúncias que envolviam funcionários categorizados e parlamentares ligados aos Correios, cuja CPI ainda não foi extinta e cujos responsáveis estão sendo julgados pela Justiça. Depois, veio o “escândalo dos bingos”, que a mídia denunciou e as autoridades puniram, embora alguns vilões tenham escapado das malhas da lei.
O processo de corrupção que ganhou manchetes em todo o mundo, oito meses atrás, foi o denunciado pelo deputado Roberto Jefferson, abrangendo meia centena de parlamentares que, fora do PT, venderam seu voto em vários projetos de lei, desrespeitando a Constituição Federal que proíbe qualquer tipo de pagamento, remuneração ou propina além do subsídio legal. E essa vergonhosa propina, que encheu o bolso de meia centena de parlamentares, maculou para sempre a honorabilidade da Câmara Federal. O trabalho da rigorosa CPI do “mensalão” apontou os nomes dos infratores, alguns dos quais renunciaram, meia dúzia foi condenada, mas o restante dos “mensaleiros” foi absolvido, por uma contumaz falta de ética e de corporativismo imoral.
Pois bem: agora surgem novas denúncias, cujo apelido é o de “sanguessuga”. O jornal O Estado de S. Paulo, de quarta-feira, resumia os fatos com estas palavras: “A ex-assessora do Ministério da Saúde, Maria da Penha, denunciou 179 parlamentares que participavam do esquema de venda de ambulâncias e equipamentos superfaturados para prefeituras”. A Polícia Federal descobriu que os parlamentares faziam emendas no orçamento em troco de 10% a 15% do valor, como propina para aqueles signatários, que “recebiam dinheiro dentro de malas ou nas cuecas e meias dos chefes do esquema”.
O Brasil cresce e se desenvolve. Mas, é penoso reconhecer que a marginalidade criminal avança no seio de órgãos importantes na vida de nossa democracia, criando exemplos de criminalidade que deslustram a maioria absoluta dos cidadãos que mantêm os pilares da grandeza nacional. É esse submundo do crime de colarinho branco que devemos desprezar, com nossos sentimentos e com nossos votos.
ALFREDO PALERMO é professor, advogado, historiador, jornalista e escritor membro da Academia Ribeirão-Pretana de Letras e da Academia Francana de Letras. Colabora com o jornal Comércio da Franca há mais de 60 anos.
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