Polícia tem informantes até mesmo entre os bandidos


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Os seis investigadores da equipe de homicídios da DIG estão sempre em alerta. Se um crime acontecer, em poucos minutos o celular dos plantonistas vai tocar. E eles têm que chegar o mais rápido possível ao local. Foi assim no dia 27 de abril, uma quarta-feira. Eram 20h20, quando dois homens invadiram a casa do comerciante Valdir José da Silva, 45, para roubar. Ele reagiu e foi morto com um tiro no coração. Antes das 21 horas, os agentes da DIG já vasculhavam a residência em busca de algum indício que pudesse levar aos criminosos. “No quarto em que ele foi morto, apreendemos um papel com anotações escritas a lápis. Era o endereço e o telefone do mentor do roubo. Este detalhe, somado a uma denúncia anônima que recebemos, possibilitou a identificação dos autores”, disse o investigador Wellington Amato. Uma semana depois, os três envolvidos no latrocínio já estavam na cadeia. Com a experiência adquirida ao longo da carreira de 20 anos como policial, Amato explica que a preservação do local do crime é fundamental para o esclarecimento. “É lá que encontramos as primeiras pistas e definimos a linha de investigação a ser seguida. Se a cena for mudada ou se demorarmos para chegar ao local, a apuração se torna mais difícil”. Cada policial tem o seu estilo próprio de investigação. É comum agentes vestidos em trajes civis se infiltrarem junto a populares diante da cena de algum crime para ouvir os comentários. A mesma tática é usada no velório, no enterro da vítima. “Alguém sempre deixa escapar alguma informação importante”, revelou Amato. Além do trabalho de inteligência, os policiais também contam com uma rede de informantes infiltrados no meio dos criminosos. São os chamados “gansos”, os quais delatam os próprios companheiros. A ajuda mais decisiva, no entanto, vem da sociedade, por meio das denúncias anônimas. Todos os dias, o telefone 197 recebe dezenas de ligações. “Checamos todas as denúncias e fazemos uma filtragem, pois algumas são infundadas. Há casos em que as pessoas ligam para tentar plantar uma versão diferente”, contou o investigador Nilson Roela. Também com 20 anos de polícia, ele conta que de onde menos se espera é que pode estar a pista decisiva. “Por isso, não desprezamos nenhum tipo de informação. É comum um pequeno detalhe levar à autoria do crime”.

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