PCC ataca em todo o Estado e faz três vítimas em Franca


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Dono do Varejão Irmãos Bonacci é socorrido por funcionário e policial: vítima cruzou a linha de fogo
Dono do Varejão Irmãos Bonacci é socorrido por funcionário e policial: vítima cruzou a linha de fogo
São Paulo viveu uma onda de terror e medo sem precedentes. Criminosos ligados ao PCC atacaram em todo o Estado e fizeram dezenas de vítimas. Os quase 70 ataques criminosos iniciados na capital, entre a noite de sexta-feira e a de sábado, tendo como alvos policiais, guardas municipais e agentes penitenciários, a qual fez 35 mortos e deixou dezenas de feridos, também se refletiu em Franca. Foram três vítimas na cidade, dezenas de ameaças e muito, muito medo. Em todo o Estado, 24 presídios registraram rebelião ao longo do dia. Em Franca, um carcereiro da cadeia do Jardim Guanabara conseguiu escapar ileso de um atentado a bala. A mesma sorte não teve o cabo Elizeu Silva Muniz, da Polícia Militar. Covardemente alvejado no maxilar, teve que ser internado na Santa Casa. Uma mulher foi atingida por uma bala perdida. O sábado amanheceu tranqüilo em Franca. As notícias de que o PCC havia atacado em todo o Estado foram recebidas com precaução pelos policiais, mas poucos acreditavam que a cidade também seria alvo dos criminosos. O dia e a tarde transcorreram normalmente. A noite chegou e com ela, o desespero. O aparente clima de calmaria foi quebrado às 21h15, quando atiradores tentaram matar o carcereiro Marcelo. O atentado aconteceu no varejão Irmãos Bonacci, localizado na Avenida Brasil, Jardim Paulistano II. Dois homens ocupando uma motocicleta passaram diante do estabelecimento e efetuaram cinco disparos na direção do policial, que fazia compras no local. Três tiros acertaram a parede de entrada do varejão e os outros dois feriram o proprietário Divino Josafá Alves Borges, o qual cruzou a linha de fogo, sem perceber, justamente na hora do ataque. O carcereiro saiu ileso, enquanto o comerciante foi levado ao Hospital com ferimentos no peito e no perna. Ele não corre risco de morte. Os bandidos fugiram. “Tenho certeza de que os tiros eram para mim. Não tenho dúvidas disso”, contou Marcelo. A noite fria de sábado começava a ser transformar num inferno. Além da séria ocorrência de roubo registrada no Jardim Paraíso, com uma família feita refém (leia mais na página A-7), policiais que estavam de folga foram chamados às pressas para patrulhar a cidade em busca de suspeitos envolvidos com o ataque ao carceireiro. O pior ainda estava por vir: por volta da meia-noite, um homem armado invade o Silvio Bar, também na Avenida Brasil, a menos de dois quilômetros do Varejão Bonacci, e descarrega seu revólver na direção do cabo Muniz, que estava de folga e sem farda. O policial foi atingido na altura do maxilar e levado pelo próprio filho até o Corpo de Bombeiros, sendo socorrido posteriormente para a Santa Casa. Ele está internado e passa bem. A sapateira ALS, que também estava no bar, foi atingida no braço e precisou ser levada ao hospital. “O rapaz estava de boné e empunhava um revólver. Ele entrou no bar, se aproximou do policial e começou a atirar sem dizer uma única palavra. Depois, saiu correndo e sumiu”, contou uma testemunha que estava perto do soldado na hora do ataque. “Me encontrei com o Muniz na manhã de hoje (ontem) e conversamos sobre os ataques. Ele falou de sua preocupação e do risco que os policiais corriam. Horas depois, foi baleado”, contou o repórter Daniel Rodrigues, da rádio Difusora. O corre-corre, que já era grande, atingiu níveis jamais vistos na cidade. A tensão foi total. A todo o momento, viaturas com as sirenes e o “hi-light” ligados cruzavam as ruas e avenidas da cidade. Pedestres e veículos suspeitos eram abordados e revistados. No semblante dos policiais, um misto de preocupação, raiva e medo. Evitaram gravar entrevistas. Até a 1h40 deste domingo, ninguém havia sido preso.

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