Os atuais deputados francanos, Gilson de Souza (PFL) e Roberto Engler (PSDB), planejam usar suas atuações como parlamentares já eleitos para concentrar votos na região. Junto a eles, o advogado André Jorge (PPS) tem um projeto arrojado de conquistar eleitores de todo o Estado. Já os pré-candidatos petistas, Cassiano Pimentel e Paulo Afonso Ribeiro, apostam principalmente nos eleitores da cidade para alcançar a Assembléia Legislativa.
Para se reeleger, Gilson de Souza precisará de mais do que os 48.723 votos obtidos em 2002, na época pelo PPB (atual PP).
Estimativas apontam 80 mil votos como o mínimo para um deputado pefelista tomar posse em 1º de janeiro de 2007. Mas, o francano não se assusta com as projeções. “Sou candidato à reeleição. É difícil dizer se será mais fácil”. Gilson joga todas as suas fichas em sua atuação na Assembléia. “Consegui conquistas em três anos como se fossem 30. Não precisei aprender, já cheguei com soluções. Ajudei a saúde, o emprego e a agricultura. Acredito que cada um tem seu espaço e a cidade vai saber escolher”.
Quem deve disputar palmo a palmo espaço com Gilson na eleição de 2006 deve mesmo ser o colega de Assembléia Roberto Engler (PSDB).
O tucano só ocupou uma cadeira de deputado estadual nos últimos quatro anos porque Duarte Nogueira Júnior, assumiu a Secretaria de Agricultura. Engler não atendeu à reportagem do Comércio da Franca durante as últimas semanas para falar de sua estratégia de campanha. Mas, assim como na última eleição, quando dividiu seus votos entre outras partes do Estado (cerca de 45%) e Franca (cerca de 55%), deve buscar votos na região. Engler sabe o que é o trunfo de ter um mandato e faz questão de tentar fazer publicidade de suas conquistas. A sede do tucano em “mostrar serviço” é tão grande que já chegou até a transformá-lo em alvo de acusações de colegas de Assembléia, com a ameaça de ser denunciado à Comissão de Ética da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. O deputado Marquinho Tortorello (PPS) foi um parlamentar que se sentiu lesado. Natural de São Joaquim da Barra, em julho do ano passado, Tortorello acusou o tucano de se apropriar de conquistas alheias. “Nós batalhamos pela liberação dos recursos e, quando o governador autoriza, o Engler, que é do mesmo partido, fica sabendo primeiro e divulga as obras na cidade como se fossem conquistas dele. Isso é antiético”, disse na época.
TÁTICAS PRÓPRIAS
Para concorrer a uma cadeira na Assembléia Estadual, outros candidatos sem experiência têm lógicas diferentes em suas campanhas. O pré-candidato André Jorge (PPS), por exemplo, além dos votos de Franca, planeja utilizar apoio principalmente de sua classe, os advogados. Com o apoio da Fadesp (Federação dos Advogados do Estado de São Paulo), ele acredita que tenha chances de se infiltrar em outras regiões. O francano, formado em Direito, possui um escritório de assessoria política em SP, com representação em Brasília, e é dono da Nova TV, emissora local de televisão a cabo. Para ele, nem mesmo o desconhecimento de seu nome entre a população parece ser um empecilho. “Uma pesquisa da Fadesp em Franca apontou que 60% do eleitorado conhece o meu nome. Acredito que, com a campanha, esse número possa chegar a 80%. Depois é uma questão de avaliação de propostas”, diz o pré-candidato que levanta a bandeira da renovação da classe política. Apesar da confiança, André Jorge sabe que tem uma difícil missão pela frente, mas, para ele, o mais importante é colocar o nome em evidência. “Daqui a quatro anos, com mais experiência, terei mais chances de vencer”.
Como o advogado, renovação também é a bandeira empunhada por um dos pré-candidatos do PT, Paulo Afonso Ribeiro. O presidente do Sindicato dos Sapateiros acredita na base eleitoral de francanos. “Sabemos conversar com o povo e isso já é uma facilidade”. Paulo Afonso acha que o seu trabalho como sindicalista também é suficiente para compensar qualquer inexperiência. Ele acredita que uma campanha de “corpo a corpo” é o segredo para ocupar uma cadeira na Assembléia e aposta nas 125 indicações que seu nome recebeu nas prévias regionais do partido, realizadas no último domingo. Mas a definição oficial do PT em relação aos candidatos só sai em meados de junho, na convenção estadual, e o sindicalista pode ter um outro companheiro de partido, Cassiano Pimentel, ex-vice-prefeito de Franca por oito anos, como adversário na disputa. Pimentel também é pré-candidato. Recebeu menos votos do que Paulo Afonso nas prévias (88), mas somente a convenção estadual dos petistas definirá quem realmente disputará o pleito. “Ainda temos algumas semanas para aprofundar as conversas”, desconversa Pimentel, que, apesar de mais conhecido no cenário político regional, não deve extrapolar os limites da microrregião de Franca em sua votação, a não ser que consiga pegar carona na estratégia estadual de seu eterno companheiro, com o qual trabalhou na prefeitura da cidade, Gilmar Dominici.
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