Franca não tem um representante em Brasília desde 1994, quando Airton Sandoval (PMDB) levantou-se da cadeira da Câmara Federal.
Na eleição de 2006, a lista de candidatos que pretendem quebrar esse tabu é extensa. A cidade já tem quatro pré-candidatos confirmados e pode chegar até seis. Uma relação heterogênea e motivada por lógicas e estratégias diferentes.
Desde 2004, quando deixou a prefeitura de Franca após dois mandatos, Gilmar Dominici já planeja ocupar uma vaga na Câmara dos deputados. Como vice-presidente da Confederação Nacional dos Municípios, conseguiu firmar seu nome como representante de muitas cidades. Além disso, assumiu o cargo de assessor do senador Aloizio Mercadante e pôde ganhar livre acesso nos bastidores do partido, além de apresentar seu nome na capital do Estado e em muitos municípios do interior visitados. Os contatos de Dominici não pararam por aí. “Minha atuação como coordenador do partido na macrorregião de Ribeirão Preto me credenciou a buscar votos em 84 cidades”, disse. E foi o que ele fez. Já costurou alianças em municípios como Araraquara, São Carlos, Barretos e Ituverava. Até mesmo em Ribeirão Preto, reduto de lideranças da legenda, possui apoiadores. As muitas indicações recebidas pelo ex-prefeito nas prévias do PT em todas essas cidades comprovam sua infiltração. A única sombra que pode atrapalhar Dominici é a possível candidatura do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Mas, o ex-prefeito acredita que o planejamento e a iniciativa farão diferença. “Quem chega primeiro bebe água limpa. Como fiz os acordos primeiro, tenho preferência”.
Votos de muitas cidades do Estado é também o que espera obter o médico Marco Aurélio Ubiali. E as armas do pré-candidato do PSB estão baseadas em um importante apoio. “O presidente da federação estadual das Apaes é de Ituverava. Ele se chama Antonio Cândido Naves. Já temos uma dobradinha fechada e com o apoio dos membros da associação posso conseguir votos em muitas cidades”. Ubiali sabe de seu cacife eleitoral em Franca. Ele foi o segundo colocado na última eleição para prefeito de Franca, com 38.914 votos, e o segundo mais votado para deputado federal em 2002, com 32.468 votos. Por meio das Apaes, Ubiali planeja completar os 70 mil votos que acha necessários para se eleger com a colaboração. “Focarei a região de Franca como prioridade de campanha, mas conto com a infiltração em todo o Estado”.
VOTOS DE CASA
Os outros dois candidatos a deputado federal confirmados apostam em votos caseiros para chegar a Brasília. Clarindo Ferraciolli, o Belão (PSC), descreveu de maneira simplista como planeja se eleger deputado federal. “Minha campanha vai ser baseada no corpo a corpo. Muita saliva e muita sola de botina gasta. Focarei minha campanha em cima de Restinga, sim, mas também em Franca e em toda a região. Espero obter 50 mil votos. Seria o suficiente para me eleger.” Francano de nascimento, tem o fortalecimento dos municípios como principal proposta. “A intenção é aumentar a fatia do bolo das verbas federais destinada aos municípios”.
Um plano mirabolante se esconde por trás da candidatura de Belão. O ex-prefeito de Restinga, por três vezes, conta com votos de um popular colega de partido para tentar “pegar carona” e alcançar uma vaga na Câmara Federal. O apresentador de TV Clodovil deve lançar seu nome pelo PSC. Belão aposta em uma votação significativa do colega de partido e planeja repetir fenômenos como o ocorrido na eleição de 2002, quando candidatos do Prona aproveitaram-se da votação do folclórico Enéas, que convenceu mais de 1,5 milhão de eleitores, e se elegeram deputados federais com menos de 400 votos.
VELHA NOVIDADE
O historiador José Chiachiri Filho (PV) também planeja conquistar os votos da cidade. Para tanto, se apresenta como a novidade desta eleição. “O povo está cansado dos mesmos candidatos que saem a cada eleição. Então, quero ser o contrário de tudo o que está aí”. Vice-prefeito de Franca na década de 70 e afastado da política desde então, o desafio de Chiachiri está em se caracterizar como novidade trinta anos depois. De maneira controversa, o historiador aposta na “política à moda antiga” para conseguir vencer o desafio de se pintar cores novas.
“VAI-NÃO-VAI”
A candidatura do vice-prefeito Ary Balieiro (PTB), apesar de negada veementemente por ele, ainda não é uma possibilidade totalmente descartada. Nos bastidores é de conhecimeto geral que a alta cúpula tucana em Franca, principalmente Roberto Engler e o prefeito Sidnei Rocha, desejam lançar Balieiro, candidato a deputado federal mais votado em Franca nas eleições de 2002, com 44.166 votos, para atrapalhar outros postulantes à Câmara. Com Balieiro candidato, uma grande parcela de eleitores que poderiam escolher o desafeto tucano Gilmar Dominici (PT), por exemplo, podem ser catalisados para o petebista.
No PMDB, o “vai-não-vai” também é predominante. E o que vai resolver as dúvidas que assolam possíveis candidatos é o futuro de Orestes Quércia. O ex-governador depende da decisão da cúpula (da qual faz parte) nacional do partido. Os caciques precisam decidir entre lançar candidato próprio à presidência do País ou apoiar Lula (PT) ou Alckmin (PSDB). Caso o partido não apóie nem tucanos, nem petistas, Quércia deve ser candidato ao governo do Estado ou ao Senado e os militantes do PMDB em Franca acreditam que isso puxaria votos suficientes para eleger membros da legenda. Quércia já demonstrou em recentes encontros da sigla que apóia o vereador Marcelo Caleiro para deputado estadual e o advogado Fábio Liporoni para federal. Mas, qualquer decisão ainda está longe de ser tomada. “Não há nada definido”, diz Caleiro. “Fui convidado pela direção do PMDB em Franca, mas estou ainda pensando no assunto”, complementa Liporoni. Internamente, o nome do treinador de basquete Hélio Rubens também tem força, mas a indecisão predomina. “Minha candidatura já foi mencionada em conversas informais com outros integrantes do partido, até pela experiência que tive como vereador, mas não há nada oficial até agora”.
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