Votar ou não em um candidato de fora de Franca? A cada eleição que passa e a região não consegue votos para eleger um representante em Brasília, cresce o sentimento de que é preciso dar um “fora” nos políticos com base em outras cidades, que só pisam no solo das três colinas a cada quatro anos às vésperas de eleições. Mas esse dilema não é consenso nem entre os candidatos de Franca à Câmara dos Deputados e à Assembléia Legislativa.
Todos concordam que “forasteiros” prejudicam as candidaturas locais, mas que não se pode e nem há como evitá-los.
Em 1998, Theo Maia bateu na trave numa candidatura a deputado federal. Por pouco menos de 2 mil votos não chegou lá pelo PSB. Viu o pefelista Corauci Sobrinho e o petista Anônio Palocci, ambos de Ribeirão Preto, obterem, juntos, mais de 8 mil votos em Franca e nunca perdoou o apoio dado aos dois por políticos locais. “Ele (Theo Maia) era o nosso candidato a deputado federal, mas poucos dias antes da convenção, o partido dele na época (PSB) resolveu lançar dobradinha com o Luiz Carlos Fernandes (candidato a estadual) e ficamos na mão”, sustenta ex-prefeito Gilmar Dominici (PT).
Quatro anos depois e nenhuma ajuda a Franca de “forasteiros”, setores da comunidade local criaram a campanha “Voto Nosso”. Se não elegeu um deputado federal, evitou em parte a “invasão” dos “forasteiros”. Corauci Sobrinho obteve 5.218 votos em 98, mas não chegou a 800 na eleição seguinte. Palocci, por sua vez, conseguiu pouco mais de 300 votos em 2002, contra 3.303 quatro anos antes.
Apesar do histórico, os próprios candidatos locais não possuem consenso sobre o assunto. O historiador José Chiachiri Filho, pré-candidato do PV a deputado federal, condena iniciativas como a do “Voto Nosso”. “Às vezes, o eleitor acha que candidatos de fora sejam melhores do que os daqui. Temos que melhorar o perfil dos nossos candidatos e não dizer para não votar em ‘forasteiro’.
Quem tem que decidir é o eleitor”, disse Chiachiri, sem revelar quem o PV de Franca apoiará nestas eleições, na disputa por uma vaga de deputado estadual. Já Gilmar Dominici (PT), também pré-candidato a federal, disse que “a cidade tem que lutar para eleger representantes na Assembléia Legislativa e na Câmara dos Deputados”, mas que as candidaturas locais precisam de algo mais. “Só com votos de Franca, não dá para se eleger. Por isso, busco um perfil regional”.
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