O risco pára-quedista


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Vaidade pessoal, pressão do partido para aumentar os votos da legenda ou mesmo achar que tem cacife suficiente para se tornar uma liderança política local representativa. São estes alguns dos motivos que levam candidatos sem experiência ou base de apoio significativa a entrarem no jogo eleitoral caindo de pára-quedas. Raramente passam dos 10 mil votos, fracassam e ainda atrapalham os que possuem chances reais de vaga na Assembléia Legislativa ou na Câmara dos Deputados, uma vez que dividem os mesmos votos. Um risco que pode arrasar as esperanças de Franca ter um deputado federal ou estadual a partir de 2007. Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, sediado na Rua Padre Anchieta, quer ser o grande nome do PT para deputado estadual. É sua primeira eleição e seu nome é pouco conhecido fora do ambiente sindical e dos sem-terra, principais redutos de seu rebanho. Petista desde 1992, Ribeiro faz parte da Militância Socialista, ala mais à esquerda do partido. Embora junto com outras tendências (como são chamados os grupos internos que se digladiam no PT) tenha levado vantagem nas prévias do diretório municipal, seu grupo exerce menos influência do que o Campo Majoritário, controlado pelas maiores expressões do partido na cidade, como Gilmar Dominici, eleito duas vezes prefeito de Franca, e Cassiano Pimentel, ex-vice prefeito, um dos candidatos à prefeitura de Franca nas últimas eleições e concorrente direto de Paulo Afonso pela vaga à deputado estadual. Mesmo com toda a maré contra, o sindicalista crê que suas investidas em portas de fábricas de calçados e em acampamentos de sem-terra pode dar resultados. “Tenho o apoio da maioria do partido em Franca”, disse. O retrospecto teima em contrariar a confiança de Paulo Afonso Ribeiro. Há quatro anos, Jorginho, hoje no P-Sol, mas que na época fazia parte da ala radical expulsa do PT, subverteu a ordem da direção municipal do partido e lançou candidatura a deputado federal, sendo que o então prefeito Gilmar Dominici e as principais lideranças do partido trabalhavam para que seu vice, Cassiano Pimentel, chegasse à Câmara dos Deputados. Apesar do apoio oficial dos principais petistas de Franca, Cassiano Pimentel foi visivelmente atrapalhado por Jorginho, que obteve, em Franca, pouco mais de 7 mil votos. O então vice-prefeito de Franca, vítima do racha que pode se repetir este ano, não foi eleito por pouco. Amargou uma suplência. NA GARUPA Ainda há entre os candidatos de Franca quem sabe que não possui eleitorado suficiente para vencer a eleição, mas aposta em uma estratégia arriscada. O sonho é ter um “puxador de votos”, aquele que obtém votação expressiva e que, com ajuda do quociente eleitoral, consegue eleger companheiros com menos votos. Em 2002, Enéas Carneiro (Prona), ainda com barba, conseguiu mais de 1,5 milhão de votos, e levou de carona para Brasília candidatos que tiveram míseros 200. Como o historiador José Chiachiri Filho, filiado ao Partido Verde, que, sem constrangimento em se apresentar como novidade, apesar de ter sido eleito vice-prefeito há 30 anos numa facção que era, em 1976, chamado de “Grupo Novo”, garante ter uma fórmula infalível para chegar ao Congresso Nacional. “O povo está cansado dos mesmos candidatos que saem a cada eleição. Quero ser o contrário de tudo o que está aí”. Mesmo afastado da política há tempos e filiado a um partido de pouca expressão, para Chiachiri o problema são os outros. Ele acredita que outras candidaturas, mesmo as de figuras mais em evidência no cenário político, podem atrapalhar sua pretensão de ser eleito. Outro que também tem plano para chegar lá é o ex-prefeito de Restinga, Clarindo Ferraciolli, o Belão, que recorreu a uma outra fórmula já tentada por outros políticos em eleições anteriores. Sabendo que tem um potencial de votos limitado e que dificilmente poderá alcançar a marca de 110 mil votos, margem segura para quem sonha com uma vaga em Brasília, trocou o PMDB e ingressou no Partido Social Cristão, o PSC. Embora seja idolatrado em Restinga e em São José da Bela Vista, onde seu irmão, Wilson, é prefeito, Belão não aparece entre os principais na preferência do eleitorado. Ferraciolli já colocou seu nome em eventos como festas de porco no rolete e até bingos de clubes da velha guarda, passando por todos os campeonatos de futebol amador na região. Conjecturas, suposições, articulações e uma mínima plataforma eleitoral podem levar o marinheiro de primeira viagem ao sucesso. Mas o reverso da medalha é o mais provável. Em 2002, Wagner Maura pensava em se eleger deputado estadual pelo PFL. Chegou a comemorar a subida de 1% para 2% nas intenções de voto em Franca. “Cresci 100%”, disse em entrevista ao Comércio na época. No final do pleito, Maura empacou na marca dos 3 mil votos e nunca mais se ouviu falar nele.

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