“Fome dificulta estudos”, diz aluna


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Quatrocentos reais mensais e o sonho de ser advogada. Essas são as motivações que levam Damaris Alves, 17, a trabalhar durante o dia inteiro e cursar a terceira série do ensino médio na Escola Estadual “Michel Haber”, no Jardim Paulistano II, à noite. Damaris sai do trabalho às 18h30 e entra na escola às 19 horas. Sem tempo para jantar em casa, sempre contou com a merenda servida na hora do intervalo entre as aulas. Mas, desde o início do ano, sua refeição noturna perdeu qualidade. Ela é mais uma entre os estudantes que se negaram a retornar às aulas na “Michel Haber” na noite de quinta-feira. “A merenda é fundamental para um bom aproveitamento das aulas. Muitas vezes, a fome dificulta até mesmo a concentração”, disse. Damaris começou a trabalhar com 15 anos de idade. “Sem minha ajuda, minha mãe não conseguiria nos sustentar”, diz ela, que perdeu o pai aos 9 anos. A jovem é atendente de um estabelecimento comercial. Sua jornada tem início às 9 horas e cada vez mais seus dias de trabalho vêm tendo importância no orçamento da família. Ela e a mãe, costureira, estão cuidando da avó que tem enfisema pulmonar e está hospedada na casa das duas. “São muitos gastos com remédios”. A cansativa rotina de Damaris não a impede de tirar boas notas. “Sempre fui boa aluna”, conta. Ela deseja cursar Direito na Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Franca, já que não teria condições de estudar numa faculdade particular. “Tenho o sonho de ser advogada”.

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