Na terça-feira passada, após cessar o fogo em um canavial de uma fazenda em Ituverava, um cortador de cana avistou nas cinzas um animal ferido. Mais de perto percebeu-se que se tratava de um filhote de onça. A pessoa, que não foi identificada, avisou a Polícia Ambiental, que levou o bicho para ser atendido por um médico veterinário. Tratava-se de um filhote de aproximadamente dois meses de onça parda, a tal suçuarana, e foram constatadas queimaduras de 3º grau em 70% de seu corpo. Apesar de bastante ferido, o felino não corre risco de morte.
O encontro de animais silvestres em locais habitados, tanto em áreas rurais como urbanas, tem sido comum nos últimos tempos. De acordo com o sargento Paulo César de Castro, comandante da Base Operacional da Polícia Ambiental de Ituverava, veados campeiros, tamanduás e onças pardas têm sido recorrentes na região. “Já fomos acionados por causa de onças em Igarapava, Buritizal. É uma região que concentra tipicamente estes animais”, explicou o sargento.
A anormalidade está em os animais atacarem as fazendas. De acordo com o biólogo do Bosque de Ribeirão Preto, Pedro Favoretto, a redução do Hábitat natural destes animais e a oferta de alimento abundante e de fácil acesso é o que tem atraído animais silvestres para perto dos seres humanos. Pedro recebeu esta semana no bosque mais um exemplar fêmea de onça parda. Ela foi capturada por um fazendeiro de Brodowski que teve pelo menos dois bezerros de sua propriedade mortos pelo animal. “Mas não é a orientação que deve ser dada. Capturar animais silvestres é crime. Qualquer dúvida, o Ibama dará as orientações necessárias”, disse Pedro.
A captura da onça em Brodowski foi motivada não só pelos prejuízos causados pelo animal, mas também por medo de ela atacar um ser humano. No bairro de Furnas do Taveira, Júnior Donizete Canas não deixa mais seus filhos brincarem próximo à reserva florestal do sítio. “Quando meu filho e minha sobrinha vão à escola (em Ibiraci), eu os levo e espero o ônibus chegar. Sei que não terei chances diante dela (a onça), mas é instinto”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.