Quando a noite cai no bairro rural de Furnas do Taveira, onde Franca faz divisa com Ibiraci (MG), os moradores das encostas dos morros que circundam a região se trancam em suas casas. Os ouvidos estão sempre atentos ao que ocorre no lado de fora. Na família de Júnior Donizete Canas, a ordem é botar os pés para fora de casa só após o amanhecer. Qualquer barulho estranho causa arrepios em quem estiver acordado. Vez ou outra o pecuarista sai no quintal, com cautela, e acende um rojão de três tiros, daqueles de festa junina. O rito se prolonga até a hora de Júnior se deitar.
Apesar de parecer comemoração ou crendice popular, a cena virou rotina para o sitiante, que pretende, com o barulho dos fogos de artifício, proteger seu rebanho da ação de uma onça parda (suçuarana) que ronda os terreiros da região atacando bezerros, potros e carneiros. Não houve registro de ataques a pessoas até o momento, mas a situação preocupa.
Só em Furnas do Taveira, três filhotes já foram abatidos pelo felino. Pouco se sabe sobre o animal, mas quem já cruzou com a onça naquelas redondezas garante que “a ‘bicha’ é grande”. Moradores do Paiolzinho, outro bairro rural de Franca, e do sítio Santa Cruz, em Brodowski, também têm histórias idênticas e recentes para contar.
No primeiro, um felino, que parece ser da espécie Suçuarana, segundo relatos de quem supostamente viu o animal, já matou um potro (filhote de cavalo) e uma égua, que eram criados por Geraldo Peres de Souza. Além destes dois casos, outro potro e um bezerro de sitiantes vizinhos de Geraldo também foram atacados. “Ela (onça) pegou um animal meu e, provavelmente, a égua tentou evitar a morte do filhote e acabou morrendo na luta.
Vi os rastros deixados no pasto da briga”, disse Geraldo.
O sitiante conta que já informou o ocorrido ao Ibama e à Polícia Ambiental. “Mas eles alegam que não têm como tirar nem para onde levar o animal”. De acordo com Geraldo, o Ibama distribuiu uma cartilha ensinando como conviver com o animal vigiando as fazendas. “Pediram para a gente recolher os animais no curral à tarde, soltar rojões para espantá-la e manter o rádio ligado, para ela sentir a presença humana no local”.
Não está descartada a possibilidade de a onça atacar pessoas, fato, até o momento, não registrado. O biólogo Pedro Favoretto, que trabalha no Bosque de Ribeirão Preto, recomenda cautela aos sitiantes. “É melhor evitar o contato”.
O telefone do Ibama é (16) 3610-1174.
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