Eu sou a videira; vós os ramos


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O quinto domingo da Páscoa nos traz uma palavra de Jesus muito importante.Ele diz que é a Videira e nós, os ramos. É uma relação mais profunda até do que aquela que existe entre o pastor e o seu rebanho, sobre a qual meditamos no domingo passado. A imagem da videira é muito forte. O ramo é uma extensão e um prolongamento da videira. Dela é que vem a seiva que o alimenta, a umidade do solo e tudo aquilo que ele transforma depois em uva, sob os raios do sol de verão. Se não é alimentado pela videira, nada pode ele produzir, realmente nada: nem um pequeno rebento, nem um cacho de uva, nada de nada. Cristo é a videira, nós os ramos! Qual é então nosso papel como ramos? Permanecer ligados à videira e permanecer em Cristo Jesus significa, acima de tudo, não abandonar os compromissos assumidos no batismo, não afastar para um país longínquo, como o filho pródigo, sabendo, porém, que se pode desgarrar do Cristo de uma só vez, como de um só impulso, entregando-se a uma vida de pecado consciente e intencionado, mas também aos pouquinhos, quase sem se dar conta, dia-a-dia, infidelidade a infidelidade, omissão a omissão, compromisso a compromisso, deixando primeiro de comungar, depois de ir à missa, depois de rezar, e, enfim, de tudo. Permanecer em Cristo Jesus significa também algo de positivo, isto é, permanecer no seu amor. No amor que Ele tem por nós, mais que no amor que nós temos por Ele; significa permitir-lhe que nos ame, que nos faça passar a Sua “seiva” que é Seu Espírito, evitando pôr entre Ele e nós a insuperável barreira da auto-suficiência, da indiferença e do pecado. Jesus insiste que é preciso permanecer nEle, fazendo-nos perceber as conseqüências fatais de uma separação dEle. O ramo que não permanece unido à videira, resseca, não dá fruto, é cortado e jogado ao fogo, não serve realmente para nada, porque a lenha da videira é uma lenha inútil para qualquer outro fim que não seja o de produzir uvas. Pode-se até ter uma vida brilhante, cheia de saúde, de idéias, exibir energia, negócios, filhos, e ser, aos olhos de Deus, lenha seca, lenha para se jogar no fogo apenas terminada a estação da colheita das uvas. Permanecer em Cristo, portanto, significa permanecer no Seu amor, na Sua lei; significa, talvez, permanecer na cruz, permanecer com Ele na provação. Permanecer em Cristo significa tornar-se adulto e maduro na fé, ou seja, dar frutos de boas obras. A videira não produz uvas para si mesmo, mas para os outros. O cristão não produz obras de amor para ter depois uma recompensa: ele é como o Pai do Céu, ama sem esperar nada em troca. A parábola da videira nos faz lembrar o amor da Mãe. A verdadeira mãe não quer nada para si, quer tudo para seus filhos. Coração de mãe é repleto de amor. Nele, cabem sentimentos de amor, ternura, perdão e compreensão, que sempre se renovam. Coração que ama é assim mesmo: nele, existe uma mescla de alegrias e tristezas, sonhos e decepções. Nesta data especial, nós, filhos e filhas, pedimos que Deus não permita que os espinhos penetrem nem de leve, na alma das mães. Que, ao receberem gratidão, seus corações continuem a jorrar o perfume de sorrisos, abraços e felicidade! Parabéns Mamães! PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca.

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